INFORMATION SOCIETY (1988)

19 01 2013

“Um álbum seminal que precisa ser redescoberto e ter seu real valor reconhecido!”

Álbum é menosprezado, mesmo sendo muito bom...

Álbum é menosprezado, mesmo sendo muito bom…

O Synthpop foi um movimento que teve seu auge no fim dos anos 80 e seguiu forte até o meio dos anos 90, quando assim como o Metal Farofa, as Boy Bands entre outros fenômenos musicais – incluo aqui até mesmo o rei do pop e a rainha, naquele momento, Michael Jackson e Madonna, respectivamente – foram demolidos pelos tratores musicais vindos de Seattle, o chamado movimento Grunge, que teve relativo apelo pop, com bandas como Nirvana e Pearl Jam.

Embora o fenômeno Grunge tenha deixado para posteridade uma meia dúzia de boas bandas, o tempo tratou de mostrar que também, assim como qualquer outro movimento, tinha seu prazo de validade. E justamente as que restaram foram mais ou menos essa mesma meia dúzia, que luta até hoje para manter sua base de fãs. Mas voltando ao Synthpop, podemos dizer que esse também foi um outro movimento musical que teve prazo de validade e que sobraram, igualmente, meia dúzia de boas bandas e o resto, caiu no ostracismo.

Nessas épocas em que LCD Sound System, MGMT, The Killers entre outras novas bandas, decidiram tirar de seus armários os ultrapassados sintetizadores e colocá-los em suas músicas, como se fosse algo revolucionário e cool, decidi ouvir e reouvir pela bilionésima vez, um dos muitos precursores do movimento, que também se deu ao luxo de ficar para posteridade, com hits fortes e poderosos, que conquistaram o mundo e principalmente o Brasil, estou falando do INFORMATION SOCIETY.

Quando em Minneapolis, Kurt Harland, Paul Robb e James Cassidy decidiram no ano de 1981 começar uma banda “pós-moderna” e extremamente Cyberpunk, mas que misturasse a agressividade do punk (primórdios), as batidas do Kraftwerk, performance de banda de rock (influência clara do Kiss e The Cure), samplear seriados Sci Fi e misturar tudo isso, influenciando até mesmo o Faith No More (sim, os próprios chegaram num dado momento reconhecer isso), provavelmente não imaginavam que conquistariam uma legião de fãs, muitos dignos de Iron Maiden, tamanha a devoção.

Banda é conhecida pelo visual cyberpunk nerd!

Banda é conhecida pelo visual cyberpunk nerd!

Em meio a tudo isso, imaginem que Kurt Harland fazia o tipo vocalista Rock Star, às vezes arrogante, outras vezes dócil, bonitão, estiloso e para fechar tudo isso, ainda costumava se apresentar com Patins, não poderia dar errado, não? Sim, poderia, se não tivessem, naquele momento lançado um disco seminal que logo de cara emplacou nada mais, nada menos, que 4 hits, credenciando-os a grande nome do Pop mundial, uma mistura de sorte e extremo talento dos rapazes de Minneapolis.

O disco em si era coeso e abria com muita “energia”, sem querer forçar um trocadilho, qual banda pop hoje em dia, teria tido em seu disco de estreia no mainstream uma música tão forte, típica de agitar grande arenas como “WHAT’S ON YOUR MIND ?(PURE ENERGY)”, que simplesmente abre o disco? Tenho que assumir que cantá-la aos plenos pulmões, é uma experiência incrível, principalmente em um show da banda, dúvida? Então veja o desempenho da banda ao vivo na segunda edição do Rock in Rio em 1991:

Information_Society

Não obstante, a música, teve a cara de pau de samplear um trecho de Star Trek, mais precisamente com SPOCK, a parte “Pure Energy”, que além de trazer certa ironia, traz uma referência pop brilhante, que permearia os próximos trabalhos da banda e influenciaria outros nomes.

“Tomorrow” foi outra música própria para shows, e é inacreditável que a banda, em seu primeiro disco Mainstream, tivesse planejado tudo isso. “Lay All Your Love On Me” segue mantendo o ritmo do disco coeso e com um ótimo refrão. “Repetition” é a balada do disco que embalou corações apaixonados e é lembrada com carinho por todos que viveram esse período.

“Walking Away” é outra preferida dos Brasileiros e feita para tirar todos do chão, com sua base forte e ritmada e letra grudenta. “Over the Sea”, lado B, mas que contém uma energia dançante que influenciou inclusive o LCD Soudsystem.  “Attitude” trás uma áurea 60’ aos sintetizadores, tão modernos àquela época, uma referência arriscada, que resultou sim em uma música pelo menos razoável, a pior, de um grande disco. “Something in the Air” é outra no estilo da anterior, que abusa de referências pop e mantém um relativo clima NOIR em seu cadenciamento.

“Running” é um grande clássico dos anos 80 e 90, batida marcante, letra arrebatadora e que no Brasil ganha um apoio dos fãs no refrão, com um palavrão nada publicável. É puro Kraftwerk às vezes e noutros momentos, mantém a pegada própria da banda, resultando em uma grande música.

“Make It Funky” vinheta que encerra o disco continua sampleando coisas da Cultura Pop e dando um final forte e coeso para o álbum.

Em suma um grande disco, que alguns críticos tiveram dificuldade de entender em seu inicio e que ganhou força com o tempo, influenciando de White Zombie a LCD Soundsystem, mantendo-se atual, mesmo com a acusação de os sintetizadores, depois de um tempo, ficarem “datados”. Um disco realmente a frente de seu tempo e que merece sim ser redescoberto por alguns.

O álbum torna-se uma experiência ainda mais forte, quando sua continuação direta, “Hack”, que têm em sua capa os dizeres irônicos: “Atenção, isso não é arte”, é ouvido logo em seguida, criando assim uma coesão no desenvolvimento dos conceitos da banda.

Lembrando ainda que o Information Society tocou no Rock In Rio, roubando a noite que tinha outras grandes estrelas, a plateia vibrou, e este é considerado por muitos, um dos maiores shows daquela edição, coincidência ou não, justamente após o lançamento de Hack, num show curto, que emendou o melhor do álbum homônimo e de “Hack”, num verdadeiro espetáculo visual e musical.

NOTA 10 de 10

 

 

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COAL CHAMBER TRAZ TODA POTÊNCIA DE SUA MÚSICA EM UM SHOW HISTÓRICO.

10 09 2012

“Com muita intensidade e qualidade, banda faz show para público fanático em São Paulo”

Lançada nos primórdios do movimento Nu Metal e com uma pegada moderna e pesada, o COAL CHAMBER não demorou a ser alçada como a banda do “MOMENTO” em sua época (anos 90), tendo chamado a atenção de Ozzy Osbourne, entre tantos outros nomes. Evidente que logo uma legião de fãs “LOCOS” pela banda começou a surgir em todo mundo, alçando a banda à fama rapidamente.

Superior artisticamente a seus contemporâneos e de movimento musical – cito KORN e LIMP BIZKIT como exemplos – a banda acelerava a passos largos para se tornar um dos maiores nomes do NU METAL, ALTERNAMETAL ou simplesmente METAL, não importando a nomenclatura, mas sim o rock de qualidade proposto. Como toda banda que não tem cabeça em um momento oportuno que a vida lhe dá, logo o COAL CHAMBER começou a ter problemas graves: agressões entre integrantes (inclusive mulher), abusos de drogas e álcool e outras maluquices que a trupe comandada pelo talentoso Dez Fafara costumava se meter.

FOTOS SITE: NM4U

Em 2002, depois de muitos desentendimentos a banda chega ao seu fim, deixando muitos fãs, incluindo esse escriba, órfãos e que tiveram que se contentar com os trabalhos paralelos dos músicos, como “Glass Pinãta” e “Devil Driver”. Um clássico exemplo de chances que Deus coloca na vida das pessoas e elas desperdiçam por ego ou qualquer outra coisa idiota, a banda é grande nos corações dos fãs, mas podia ser imensamente maior – sempre brinco que o lugar de direito do Coal Chamber foi ocupado anos depois pelo “Slipknot” mercadologicamente falando, PANTERA-COAL CHAMBER-SLIPKNOT, o mercado sempre precisou de sons pesados que dialogassem com um público maior, pode parecer um devaneio, mas analisem friamente, os caras deixaram o trem passar.

Depois de muita espera, dez anos depois da separação, a banda se reúne para uma descompromissada turnê de reunião, e mais, uma turnê que passaria pelo Brasil. Foi uma notícia soberba para os fãs e admiradores da banda, e mesmo com os problemas de divulgação, mudança de local, os fãs fiéis estiveram presentes em peso para acompanhar de perto esse verdadeiro “Requiem”, a poderosa música da banda Coal Chamber, o Cine Jóia ficou pequeno.

FOTO SITE NM4U

Quero usar o espaço e parabenizar justamente a NEGRI RECORDS, o Cine Jóia estava ótimo para o tamanho do evento, muito organizado, o M&G o qual participei estava organizado e atendeu todas as expectativas, enfim, tudo na mais perfeita ordem.

Após o público se esgoelar no palco, às 22 horas em ponto inicia-se os acordes do tema do filme “Halloween” e em seguida surge a banda com o petardo sonoro “Loco”, o local veio abaixo e uma certeza: essa noite seria infernal. Rodas foram abertas, o pessoal vibrava muito, e a emoção tomou conta do lugar, a banda percebeu isso e decidiu dar tudo de si.

Logo em seguida outro clássico do primeiro disco: “Big Truck”, a metáfora perfeita para o rumo que tomava o show, era como se estivéssemos sendo atropelados por um gigantesco caminhão. A química da banda é ótima, Dez tecnicamente perfeito e muito carismático, Meegs com seus inesquecíveis riffs e presença de palco mandava ver, a bateria de Mike soava insana como nunca e o baixo de Chela Rhea Harper nos fazia esquecer Rayna e Nadja, ela é ótima e fazia-se ouvir sua força e técnica na acústica perfeita do local.

Mais pula-pula do público, e um saudosismo pairava no ar, sem titubear um só segundo, a banda emenda “Fiend”, “Something Told Me” e “Rowboat”, do álbum Dark Days, numa sequência que era a mais pura insanidade, a partir dali os fãs tiveram uma certeza: estávamos perante o melhor show do ano, e muitos não sabiam disso.

“Clock” era mais uma volta ao passado, saída diretamente do primeiro disco, e estranhamente muito bem recebida pelos fãs, particularmente gosto da música, mas não imaginava sua força ao vivo. Dez interagiu muito e deu uma nova aura a música.

Com Dez no backstage.

Ainda em estado de torpor, segue-se mais uma do álbum Dark Days, o segundo mais presente da noite, “Drove”, insana como sempre e com uma interpretação vocal perfeita, tornou-se mágica com as performances de Chela e Meegs, que estavam possuídos.

O álbum injustiçado da banda, “Chamber Music”, deu as caras com a poderosa “Nothing Living” cantada a todo pulmão por um coro de “LOCOS” fãs da banda. “I” com um show de bateria de Mike foi outra que não deixou pedra sobre pedra, emendada com um clássico do álbum “Chamber Music”, “No Home”, a casa fervia, os fãs estavam aproveitando cada minuto, e provavelmente foi plantada a pulga atrás da orelha de Dez: “Precisamos de mais um álbum!”.

Com o guitarrista Meegs.

Mas ninguém estava preparado para o inferno que viria a seguir: “Watershed”, do álbum “Dark Days”, contou com a mais insana interpretação que um vocalista é capaz de dar a uma música, amor, intensidade e ferocidade nas medidas certas, sem uso de artifícios como máscaras, explosões ou coisa do tipo, ali era puro coração. E Meegs e seu inspirado riff, delirando os fãs, mais uma vez!

Com a baixista Chela Rhea Harper

A banda sai, os fãs cantam a plenos pulmões os versos de “Sway”, clássico do primeiro disco e intenso como nunca, temos a intro “MARICON PUTON” e “Sway” para encerrar a noite. Banda se abraça, com direito a beijo no rosto e tudo, Meegs e Dez sabem da besteira que fizeram no passado, sabem que nada do que possam produzir será tão mágico como o “Coal Chamber”, Mike abraça ambos e Chela é bem vinda a esse grupo.

Com o baterista Mike.

Deus deu oportunidade de todos amadurecerem e tocarem juntos, quem estava lá poderia sentir a emoção, poucos shows no Brasil esse ano foram executados com tanto tesão. Repito: Não acredito no fim da banda, eles estão de volta, são o “Coal Chamber” e estão ai para provar isso, quanto ao “Devil Driver”? Cara, ali estava o Coal Chamber, foi mágico, e o que é mágico deve continuar… Para sempre.

Longa vida ao novo Coal Chamber, oras, eles merecem pô!

Setlist:


Loco (COAL CHAMBER)
Big Truck (COAL CHAMBER)
Fiend (DARK DAYS)
Rowboat (DARK DAYS)
Something Told Me (DARK DAYS)
Clock (COAL CHAMBER)
Drove (DARK DAYS)
Not Living (CHAMBER MUSIC)
Dark Days (DARK DAYS)
I (COAL CHAMBER)
No Home (CHAMBER MUSIC)
Watershed (DARK DAYS)
Oddity (COAL CHAMBER)

Encore:


Maricon Puto (COAL CHAMBER)
Sway (COAL CHAMBER)





THE MISFITS – The Devil’s Rain

3 06 2012

“Banda volta de hiato com um álbum consistente, de personalidade e que leva o Misfits e o seu legado, pela terceira vez, em uma nova direção!”

Capa do novo disco é uma obra de arte!

O Misfits pode ser dividido a partir desse álbum em três principais fases, a fase Danzing, a fase Graves (a melhor, de longe) e agora a nova fase, que seria mais fácil chamar de fase Jerry Only e Dez, porque a visão do guitarrista Dez Cadena para a banda influencia bastante nessa nova direção.

Enfim nova formação se estabiliza: Eric Arce, Jerry Only e Dez!

A banda agora é um trio de punk rock muito forte e coeso, Jerry Only é o manda chuva e à frente dos vocais, empunha o baixo com uma ferocidade e personalidade única. Dez Cadena, ex-Black Fag trouxe uma energia nova para o Misfits e sim, ele é possivelmente um dos melhores guitarristas que passou pela banda, Eric “Chupacabra” Arce, arrebenta nas baquetas da bateria, dando uma nova e incrível qualidade técnica à bateria (até com certa cadência), ou seja, temos um novo e intenso grupo para tocar os hits que são o legado dessa banda clássica e importante.

“Devil’s Rain” abre o disco de forma cadenciada e mostrando uma banda madura que quer experimentar outras linguagens rítmicas, deixando um pouco a “tosquice” caótica que sempre os caracterizou. Já na segunda e enérgica música do disco, “Vivid Red”, temos um hit típico, com uma pegada firme, rápida e um refrão grudento e objetivo. São um minuto e cinquenta e cinco segundos da clássica pegada punk rock, os riffs de Cadena são elegantes e lembram muito alguns riffs usados em bandas de metal pesado (um caminho a se seguir?).

Michale Graves foi o vocalista mais carismático da banda, mesmo com algumas resistências!

Se o estilão Heavy Metal era emulado em “Vivid Red”, em “Land of The Dead”, primeiro single do álbum, fica claro e alcança um grande momento. Ainda é Misfits, mas com uma pegada certa para a voz de Jerry Only, que parece melhor que de costume, ou seja, quando canta as músicas criadas para as vozes de Danzing e Graves (ai é covardia não?). Até fica um parêntese aqui, que quando digo que ele canta as músicas criadas para os dois vocalistas anteriores, ele não tenta imitá-los, mas sim as adapta à sua tonalidade e qualidade vocal, dando outra interpretação – vale a pena a conferida.

“The Black Hole” mantém o espírito Misfits vivo, para que não nos esqueçamos das origens da banda. “Twilight of the Dead” é outro som típico dos caras, burocrática até, mas uma música que mostra a coesão formada pelo trio Only-Cadena-Arce, que pelo tempo juntos, estão bem entrosados.

“Curse of The Mummy Hand’s”, surge o primeiro clássico hit da formação nova, sem abrir mão de referenciar o passado da banda, mas mostrando uma nova e inteligente direção, a banda trás novos e cativantes elementos. Sobressaem a guitarra firme e certeira de Cadena e a intensidade de Arce na bateria, Only mostra sua personalidade vocal nessa música, que tem um refrão grudento, cheio de estilo e cativante.

Danzing e Doyle respectivamente, muitos ainda sentem falta dos músicos!

O solo de guitarra é antológico desde já e trás, como dito antes, uma amostra da nova direção do Misfits daqui para frente.

“Cold in Hell” é um som na pegada Misfits de ser e sem inventar a roda, porque afinal, time que está ganhando não se mexe MESMO. O tempo com Marky Ramone e Daniel Rey, fez a banda prestar algumas homenagens veladas ao estilo Ramones de se fazer punk rock, e a prova disso é a música “Monkey’s Paw”, música fantástica e que nos remete (principalmente quem está acima dos trinta) a uma época saudosa.

“Unexplained” mantém o ritmo do álbum, pois é coesa, forte e inspirada. “Dark Shadows” é o presente de Only ao guitarrista Cadena, que manda ver nos vocais dessa música. Grande música do disco, claro, dentro daquela linha de não se mexer em time que está ganhando. Tem um refrão memorável.

Jerry Only na Virada Cultural 2011: “Show foi lavagem de alma. Para mostrar que o Misfits ainda tem fôlego!”

“Father” sobe o tom do disco, é uma música inspirada e outra grande canção do álbum. Mais uma vez fica evidente a sintonia da atual formação que, sabiamente, diga-se de passagem, prefere formatar um novo estilo dentro da filosofia Misfits de ser do que copiar o passado, sem correr o risco de serem covers de si mesmos (Chupa Axl). Cadena e principalmente Arce, o Chupacabra baterista, arrebentam nesse som, e a voz de Only? Inspirada e acompanhada pelos riffs de Cadena, só valoriza a música.

“Jack The Ripper”, mais um clássico desse álbum, com um arranjo mais bem construído e tecnicamente bem executado, a homenagem ao estripador rende grandes momentos, a se destacar: a voz de Only, é incrível a evolução dele nessa área e também os solos de guitarras, bem heavy metal de Dez Cadena, que brilha novamente nesse som.

“Where To They Go” é mais um som ao estilo Ramones que ressurge no disco, essa, me parece meio deslocada, mas de fato é um musicão, chega a dar saudades dos Ramones.

“Sleepwalkin” nos remete aos clássicos rocks, mesmo não lembrando muito o estilo Misfits, é outro som em que bateria e guitarra seguram a onda. Jerry Only manda bem novamente e a essa altura, já estamos acostumados ao seu estilo.

Para fechar o disco temos dois sons que são verdadeiros petardos, daqueles que tiram a galera do chão nos shows. “Ghost of Frankenstein” é uma música que tem tudo para funcionar nos shows, carismática e com um bom tema na letra.

“Death Ray” é um punk sujo e pegado, para fechar o disco com estilo e abrir rodas em shows, a música tem mais de 4 minutos, surpreendendo muito os fãs acostumados com músicas curtas e objetivas da banda.

No final das contas, “The Devil’s Rain” é um disco F-E-N-O-M-E-N-A-L dos Misfits, calando a boca dos críticos, dos fãs xiitas de Danzing ou Graves, que claro, ambos têm méritos tanto na história da banda, quanto na construção desse álbum que não nega suas origens, mas não foge da responsabilidade de uma evolução, para sair daquele mais do mesmo com arroz e feijão costumeiro das bandas veteranas.

Mais uma vez o Misfits ressurge, mais uma vez com um álbum clássico, Jerry Only é o cara por trás do legado, e o tempo fez o favor de provar isso. Mas num cá entre nós, que Michale Graves faz falta, isso faz, mas…

NOTA 100 de 10 (Isso mesmo!).





Sabaton

31 10 2010

Assistindo ao programa Stay Heavy, descobri essa banda excelente, já tratei de providênciar a compra de todos os três discos, curtam o clipe do novo som “Uprising”, lançado esse ano:

 





Clipe

30 07 2010

Trampo que fiz recentemente, dirigido por Rycardo Leonavicius e editado e fotografado por mim.





Review Discografia Tihuana

9 06 2010

Republico texto do meu antigo blog, no qual analiso a discografia da banda Tihuana.

Tihuana – Estabilidade e muito Rock and Roll na veia, mas com reggae, rap…

sexta-feira, 20 de junho de 2008, 09:07:14 | noreply@blogger.com (Cristen Charles)

PARTE 1

Os críticos malharam tudo o que puderam, a ponto de falarem que Tropa de Elite, hit já da época do disco Ilegal e que rendeu até vídeo-clip, ressuscitou a banda…Ledo engano, e verdadeira falta de respeito com uma das bandas mais coesas e seguras do chamado rock nacional de entretenimento. Tihuana nunca foi uma banda do mainstream por assim dizer, até porque nunca participou de modismo algum. Sempre esteve experimentando e fazendo diversos estilos de música num mesmo disco, coisa que acabava impossibilitando uma única definição por gênero. Nu Metal, Pop Rock, Hardcore, Punk, Heavy Metal, Rap, Reaggae…Tudo está lá, mas nunca deslocado, sempre no bizarro e divertido estilo Tihuana de ser.

De 1999 para cá foram cinco discos de estúdio, uma coletânea, um ao vivo e diversos Bootlegs não oficiais, sendo o melhor, em termos de qualidade sonora, o Ceará Music 2005. Durante sua trajetória, a banda acabou recebendo, justamente, diga-se de passagem, a fama de “A melhor banda ao vivo do Brasil” ou simplesmente “Caralho…Ao vivo os caras destroem” . Para o Tihuana, para ganhar o respeito de alguém basta levá-lo a um show dos caras… Aí meu amigo, é como diz a música: Te peguei!

Mas e quanto ao Tihuana em estúdio? As músicas funcionam apenas ao vivo mesmo?

A resposta é…Não!

O Tihuana soa muito bem em estúdio, sempre coerente, entrosado e a todo o vapor criativo, suas letras falam de amor, da galera da rua e suas tretas, das drogas (mas sempre de forma bem humorada), de humor, sobre como superar obstáculos e muitas bobagens…E quer saber? E que boas bobagens…Enquanto uns críticos cool’s (cú?) adoram ouvir as besteiras que Madonna diz em suas letras e em seguida meter o pau em “Pula!”, por exemplo, mostra que poucos críticos no Brasil realmente entendem de música…Não é à toa que historicamente sempre meteram o pau em bandas como Paralamas do sucesso, Engenheiros do Hawaii, Capital Inicial, Legião Urbana, Barão Vermelho e… vejam só: são ou foram as bandas mais sólidas do rock tupiniquim.

Vejam que incoerência, não fazem sucesso entre os críticos (na verdade farão, mas daqui a cinqüenta anos, mas já não adiantará mais), mas o público delira. Na verdade, fazer sucesso é até fácil, mas manter-se na ativa, tocando rock e com qualidade, é muito outra coisa num país de terceiro mundo.

Já que nenhum jornalista ou crítico que seja, fez um panorama sobre a carreira do Tihuana, lá vou eu, cineasta graduado e de profissão, fazer…Mas acho que tenho alguma propriedade, já que acompanho a banda desde seus primórdios e conheço muito, mas muito bem a banda, talvez por ter ido a diversos shows.

1999-Ilegal

Quando os ex – Ostheobaldos: PG, Roman, Baía e Léo, decidiram vir a São Paulo para tentar viver de música, viram o grupo acabar. E agora? Graças ao bom DEUS, numa feira de surf conheceram Egypcio, vocalista malucão, misto de Fred Durst e Rodolfo Abrantes, mas com um diferencial: realmente tinha dons vocais.

Logo se formava o Tihuana que em seguida deu início aos trabalhos de Ilegal, primeiro disco de estúdio da banda, que vendeu 150 mil cópias e os colocou no Mapa do Rock Nacional. Nu Metal, Punk, Heavy, Reaggae e sons andinos, fizeram da banda algo um tanto quanto diferente e incomum no cenário musical. Ainda bem!

O disco já abria com a frase “Na praia nudista… En la Playa…E tá tudo liberado”. A música Praia Nudista logo tornou-se obrigatória nos shows, divertida ao extremo, uma gozação só. O trabalho de percussão aqui é divino e todo o instrumental está coeso, a cozinha começa a se preparar para detonar em…

Pula! Mal deu tempo de digerir o Reggae e temos esse clássico petardo, “Pé na porta é a polícia”, brava Egypcio, “Eu já falei que tá na mente” diz a provocante voz teatral de Baía, até o clímax “Eu tou chapado, Eu tou chapadão… Tira o pé do chão… Então Pula, Pula filha da Pula!”, uma besteira? Talvez sim, mas que diverte com qualidade, ah, isso sim.

Taca Fogo é outro reggae, quebrando um pouco o clima das anteriores, é uma letra de amor cabeça, no clima para viajar mesmo, embora não se destaque, é boa de se ouvir e mostra a versatilidade de todos da banda, do instrumental ao vocal.

Que vez?, Sabe aquela musica deliciosa para se ouvir a caminho da praia? Na Praia ou simplesmente para lembrar daquele maravilhoso momento na praia? Porra, essa é a musica, um reggae ou o raio que o parta…Com uma letra interessantíssima, sons andinos, ela é até certo ponto reflexiva, mas com aquele ar de entretenimento puro…Soa autêntica…Mas não cita praia nenhuma vez durante toda a musica, vai saber né?

Te gusta Tihuana é engraçadinha e querida por muitos fãs, é aquela musica nos leva para outro lugar, “Vamos pra tihuana ficar sossegado… Ser feliz viajar, com você do meu lado…”, nada mais simboliza o sentido de ir se divertir em um show com os caras do que essa musica!

A intro é só um relaxamento até… Tropa de Elite musica que foi usada no filme para simbolizar o BOPE, mas na verdade tratava de mostrar como a banda vinha para ficar, eles eram a Tropa de Elite, “Tropa de Elite osso duro de roer, pega um, pega geral e também vai pegar você…”, impossível não delirar!

Clandestino, cover acertada do sempre improvável Manu Chao (Ex-Manu Negra, banda que o Titãs sonhava ser), se existe uma banda que tinha a qualidade para fazer um som do Mano Chao e que soasse verdadeira, essa banda era o Tihuana…E acho que nem eles sabiam disso.

Summertime musica fraquinha e que funcionava muitas vezes nos shows, mas fica um mais do mesmo no disco e é realmente fraca, não ruim, mas fora do padrão do disco.

É guaraná!, que banda teve a coragem de juntar ao peso do Rock a diversão dos Funks cariocas? A ponto de citar pela primeira vez a nível nacional a palavra “popozão”, a letra é de um bom humor só…E uma porrada que funciona em casa, nos shows, em qualquer lugar…Por isso eu pego no pé de Summertime, que á aquela lado B, sempre a ser esquecida… É guaraná! Só não é a melhor do disco, porque temos “Pula!”, “Praia Nudista” e “Tropa de Elite”.

Eu vi Gnomos, enquanto o Planet Hemp era preso por falar de drogas, o Tihuana vai mais além e com muito bom humor retrata uma viagem à cabeça de um alucinado por…Cogumelos, não conheço um que não se divirta com essa musica.

Parecer do Disco: Nota 8,5 de 10 (Grande estréia, mostrava ao que veio e buscava identidade, mas, Summertime? Daria para usar em outro disco)

2001- A Vida nos Ensina

E ensina mesmo, o Tihuana depois de pegar a estrada e sentir os fãs, faz um álbum bem interessante e mais homogêneo, aqui já estão começando a fincar-se as bases do estilo da banda…Abre com o delicioso reggae Por que será?, sons andinos, pegada bem cadenciada, uma letra gostosa de ouvir. Ótimo som…Um dos melhores de toda a extensa carreira da banda.

Desaparecidos, um reggae na acepção do termo, bem tocado, letra certinha e é um musicão, mesmo para quem não curte o gênero.

E os petardos, pauleiras e desgraceiras? Está ai Jamaica No Problem, “Quem colhe o que planta sabe o seu valor” manda Egypcio com uma segurança incrível no vocal, o inusitado Baía responde “O Bob foi me professor”, mais direto que isso, só dois disso.

Uma noite é a balada das baladas do Tihuana, é muita bem tocada, escrita e tem um clima meio deprê, que simboliza muito o que ela quer dizer, “sua ausência eu já me acostumei…Vou me Libertar…Pra poder viver…Uma noite pra nos dois, deixa o resto pra depois”, o amor é isso, incoerente, intenso e algumas vezes destrutivo, a musica representa bem o fim de uma relação difícil.

A reza é aquela pegada Reggae com sons andinos, trata da fé e reflexão de forma sólida e tem um refrão ótimo, vamos para a próxima.

Calcanhar, sim, faltou um pouco de humor para os rapazes nesse disco, e isso se refletiu na capa meio sombria até…Reggae triste, mas bem feito e bem colocado, o refrão é um achado: “A vida nos ensina, que se sobrar um vai faltar um pra alguém…”, ahhhhhhh….Meus políticos desse Brasil varonil…

Intro (2) que vem nos preparar para a diversão petardo do disco, bem…Temos Jamaica No Problem, mas eu quero ver é o Tihuana estourar meus tímpanos, aumente o som e lá vem Campo Minado, “Mas se a vontade cresce, o sangue já subiu… Então eu vou falar, silêncio no canil… Eu sou cachorro Louco… Cachorro louco vai pegar…”.

“Não vou me entregar” é aquela musica gostosa do disco, mais um reggae, mas ao contrário de Summertime, ela está muito bem colocada no disco e tem um forte refrão: “Eu não vou me entregar… Tou aqui pra lutar”, calando os críticos…

Kolô, mais uma paulada, aquela de deixar o som alto e vale a pena ressaltar algo curioso, com, por exemplo: “água mole e pedra dura” que está na letra da musica, o Tihuana sempre faz uso de ditos populares de forma inteligente… “A cobra vai fumar” e “O Bicho vai pegar” também estão na musica, boa por sinal.

Estrelas letra pop rock clássico, anos 80 e é assim que a música é conduzida, mas é bem moderna…Mas a mais morna do disco.

VCL para findar o disco, mostra o domínio da banda com os sons andinos…

Parecer do Disco: Nota 8,5 de 10 (Manteve o padrão e amadureceu de forma segura, a partir dessa turnê, começou uma série de shows antológicos que rende a fama a banda de ótima ao vivo)

2003-Aqui ou em qualquer Lugar

O melhor disco do Tihuana, mais rock and roll, ótimas letras, vemos que a banda está mais madura e segura, será daqui a alguns anos, considerado um dos melhores álbuns da década por alguns pseudos-cult’s.

Bote Fé é uma letra de auto-ajuda por assim dizer,e mostra que o objetivo e a persistência realiza qualquer coisa, quando se tem um objetivo, “Nada do que possa acontecer, será mais forte do que há entre nós”, e explicita em: “Quem sabe o quer nunca fica pra trás, bote fé, bote fé se você for capaz”, a história nos mostra isso e o Tihuana faz uma força de lembrar…Musica muito, muito boa…

Fecho os Olhos , que pop rock competente…Uma belíssima letra, e um romantismo nada piegas, os arranjos estão belíssimos, e que refrão: “Depois de tanto tempo, posso te dizer, demorei pra acreditar, mas agora posso ver… Aquele sentimento ainda era você”, isso sim é uma letra romântica bem feita.

Depois de Fecho os Olhos já estava me acostumando ao clima lento, cadenciado, isso de uma musica que veio depois do belíssimo petardo que é Bote Fé. Mas eu queria aquela musica que simbolizasse o entretenimento de qualidade proposto pelo Tihuana, Raimundos

Vai vendo é aquela musica a ser ouvida no ultimo volume do som, nos shows e delirar (como fiz algumas vezes), “Sigo minha onda então…Rema, rema bate o pé…Levantou ficou de pé, ta pensando que é o quê? Quem você pensa que você é?”. A Guitarra e Batera estão simplesmente fodidas nessa musica, temos as costumeiras citações a ditados, e Egypcio leva seu vocal a enésima potencia…Intensa, vibrante e bem humorada.

Difícil Decidir analisa de forma sóbria sobre o governo Bush e os governos em geral, é uma ótima musica, rock and roll baby…E contestador, sem ser pretensioso.

Faz você pensar, pop rock romântico com viés pesado, que deveria servir de exemplo a outros grupos que tentam seguir essa linha, romântica não piegas e bem tocada, sem perder um relativo peso.

E o reggae? Quem ta acostumado com o Tihuana sabe dos reggaes dos caras, mas como esse é um disco mais rock and roll, vemos menos, mas temos a qualidade de Daquele Jeito, tem tudo, pegada reggae, sons andinos, refrão grudento…Feliz?

A roda outro petardo Tihuana da vida, citações a ditados populares, e mostra o clima de uma roda em um show de rock e faz analogia com a vida, parece besteira…Mas funciona bem, principalmente nos shows…Alias, essa é uma música feita para shows.

Tentaram é outro reggae bem executado no disco, mas de forma burocrática, mas não é uma musica deslocada não, cabe bem aqui.

Petardos? Tome Ta na mão, peso e velocidade na medida certa faz dessa musica algo vibrante e intensa, ao vivo então…

A cover do “Garotos Podres”, Papai Noel está animal, Egypcio manda ver no vocal e a banda toca numa velocidade desesperadora, não é atoa que a intro da próxima música chama-se Desesperado

Depois da divertida vinheta, onde vemos erros de gravação nos ensaios de Vai vendo, a próxima musica é sem dúvidas a melhor música do Tihuana durante sua brilhante carreira…

Aqui ou em qualquer lugar é cadenciada, tem peso, viradas, uma letra linda e um refrão arrasador que vale a pena ser citado na integra: “Na verdade temos pouco tempo para escolher, um caminho melhor para a gente, vou em frente, a beira da verdade, longe do meu presente…Tão ausente, sinto que entre nós, tudo ficou diferente…”, se existe uma música que simboliza o amadurecimento do Tihuana, é essa.

Parecer do Disco: 10 de 10 (Clássico na acepção do termo, disco obrigatório para fãs e não fãs)

Bem ai está a primeira parte, daqui uns dias abordo os discos: Tihuana, Um dia de cada vez e o Cd e DVD Tropa de Elite (ao vivo).





O Rock and Roll está morrendo?

1 12 2009

Graças a Deus o Rammstein está aí para provar que não.

Após o término do VMB 2009, quando pude constatar que a melhor música que passou por todo esse tradicional evento, era nada mais, nada menos que “The Mummy”, nova brincadeira assinada pelos meninos da trupe Hermes e Renato e seu Massacration em parceria com, pasmem, Falcão (O brega, não o do O Rappa), cheguei a triste conclusão: Infelizmente o rock and roll está morrendo. Ver bandas como NX Zero, Pitty e Fresno brilhar dez anos após o Planet Hemp encher os puristas com sua pseudo-rebeldia adolescente, era triste, deprimente e ainda por cima patético demais.

Eis que chegou em minhas mãos o disco “Good Blood Headbangers” do Massacration, o que não passa de uma brincadeira com os clichês do heavy metal, tornou-se tristemente o melhor disco de rock feito nesse país este ano. Vejam a situação: uma banda de mentira, criada por humoristas como uma mera “tiração” de sarro, foi a salvação do nosso pobre, patético e decadente Rock and Roll.

O curioso é que mundo afora a coisa não anda tão diferente assim não.O rock caminha rumo ao fundo do poço porque o que o sustenta são as bandas veteranas e as que surgem tentam emular de forma tosca, todas essas bandas veteranas. Cadê aquela rebeldia? A anarquia? As bandas de hoje em dia agradam nossos pais e mães, isso é inconcebível quando o assunto é rock and roll.

Mas o rock and roll tem dessas, quando todos pensam que ele está morto, enterrado e que nada mais pode trazê-lo à vida, aparece uma banda para nos mostrar que rock se faz com muita polêmica, barulho, inteligência e qualidade. Dou graças aos céus que existem bandas como Rammstein, que chegam com os dois pés em nossos peitos sem dó e piedade.

O novo álbum dos alemães inconseqüentes, intitulado “Liebe ist fur Alle Da”, é uma bela mostra que em tempos de “bom mocismos”, fugir das convenções é a solução. A fórmula? Um vídeo clipe que contém cenas de sexo explícito, um disco pesado, com alguma coisa eletrônica (sim, isso pode) e os vocais sempre doentios de Till Lindemann e uma banda coesa e correta.

Precisa mais? Aprendam com eles, rapazes.O rock é, foi e sempre será um som tipicamente anárquico, não coisa de mauricinhos. E se existe um vídeo clipe que vocês devem ver esse ano, é o de Pussy, do Rammstein, pois acredite, ele já foi banido da MTV.

 

Publicado no Jornal Litoral Noticias, Ano 1, Nº 11

capa do novo disco dos alemães