Nada Mais Que A Verdade

15 12 2014

“A história do jornal “Notícias Populares”

Segunda edição do livro, é um deleite para os fãs do velho "NP".

Segunda edição do livro, é um deleite para os fãs do velho “NP”.

Como já disse em outro post, férias é momento de ampliar meu ritmo de leitura, escrita e de refletir. Depois de um ano muito corrido, é hora de me dedicar bastante às coisas que gosto e de ficar com a família.

Desde o início de minhas férias venho devorando ótimas obras em um ritmo quase que alucinado, e dentro do possível irei postar no blog as coisas mais interessantes. Dentre elas, posso dizer que me apaixonei pelo livro “Nada Mais Que a Verdade – A Extraordinária História do Jornal Notícias Populares”, escrito a quatro mãos por Celso de Campos Jr, Giancarlo Lepiani, Denis Moreira e Maik Rene Lima, tendo começado como um projeto de conclusão de curso, quando os escritores ainda eram estudantes. Talvez os anos de convivência tenham criado esse entrosamento que fica claro pela forma orgânica como a obra fora escrita, resultando em uma leitura fluída e empolgante.

Ronaldinho saindo com a rainha das embaixadinhas: piada pronta!

Ronaldinho saindo com a rainha das embaixadinhas: piada pronta!

Profissionalmente, confesso, que o meu trabalho carrega muito de influência do “Notícias Populares”, jornal que dos anos 60 até meados de 2001, alegrava a manhã do paulistano, com seus relatos populares de crimes, sexo e lendas urbanas, temperado ainda por colunas sobre minorias, economia familiar e fofocas. Com muita prestação de serviço, o “NP”, nome carinhoso dado ao periódico, logo agradou o trabalhador médio paulistano, principalmente, porque sempre tinha espaço para fotos de mulheres seminuas, e coberturas “Dantescas” do carnaval, talvez por conta disso, a alcunha “jornal do trabalhador”, tenha lhe caído bem.

O livro é maravilhoso e narra com precisão, a criação do periódico pelas mãos do “romeno” Jean Mellé, que tem uma história de vida tão fantástica quanto as histórias publicadas pelo jornal durante seu tempo de existência. Manchetes como: “Nasceu o diabo em São Paulo”, “Broxa torra pênis na tomada”, “Psicóloga pega na marra e violenta indigente”, “Aumento de merda na poupança”, dentre outros, ficaram marcadas na memória do leitor assíduo, que pensava, se divertia, ria e se informava com a publicação.

Chamadas geniais, faziam do jornal um sucesso nas bancas!

Chamadas geniais, faziam do jornal um sucesso nas bancas!

Acompanhar nas páginas do livro, todas as fases do jornal, é de um prazer imenso e só reforça pontos que foram de suma importância para o sucesso do lendário jornal: linguagem popular, conexão direta com o público, prestação de serviço e bom humor. Não por menos, a linguagem do “NP”, quando passada para a televisão, funcionou sempre bem, pois era um jornal com linguagem televisiva, é só notar programas como: Brasil Urgente, Balanço Geral, Cidade Alerta e claro, o meu Na Mira: Informação Verdade, que sem vergonha de assumir, digo: muito influenciado pelo velho “NP”.

Bizarríces e provocações, eram uma constante!

Bizarríces e provocações, eram uma constante!

Grande leitura!

 

É pau na lomba!

 

Nada Mais Que A Verdade: A Extraordinária História do Jornal Notícias Populares, Summus Editorial, 2º Edição revisada, R$ 79,80.

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COMANDANTE, DE RORY CARROLL

14 12 2014

“Uma forma de entender o fenômeno Hugo Chavez, a Venezuela e a América Latina…”

Carismático, Chavez reprsentou o povo como poucos...Mas era péssimo gestor!

Carismático, Chavez representou o povo como poucos…Mas era péssimo gestor!

Após início de férias, muitos livros que estavam parados com marcadores de páginas posicionados no meio deles, demonstrando que faltavam algumas folhas para a conclusão, em um a pilha de compromissos de “leituras”, começam a ser eliminados um a um, e dentre eles, está uma obra que me apaixonou, “O Comandante” de Rory Carrol, que faz um panorama jornalístico sério e preciso sobre os anos de Hugo Chavez, El comandante, frente o governo venezuelano.

O Irlandês Rory Carroll, foi correspondente do The Guardian no país e deu uma aula de jornalismo ao procurar racionalizar o movimento “bolivariano” e ascensão, e porque não dizer: queda do líder que como político era um verdadeiro gênio, carismático e de rápidas respostas, mas como “ADMINISTRADOR” público, mostrou-se desorganizado, ruim e mais preocupado com caprichos e ego pessoal do que dar um padrão de gestão ao país.

A obra lançada no Brasil, tem belo acabamento e soberba tradução!

A obra lançada no Brasil, tem belo acabamento e soberba tradução!

A obra acerta em manter um tom imparcial, o que é surpreendente, tendo em vista que Carroll teve uma situação estressante e nada animadora em sua participação no programa “Alô Presidente”, ferramenta televisa da qual Chavez fazia, e muito bem, uso e caso o jornalista, quisesse uma “vendeta”, o momento seria esse, o de sua obra, mas ao contrário do líder do bolivarianismo na América Latina do século 21, Carroll está preocupado em fazer um registro histórico e não pessoal, uma ferramenta ímpar para consulta histórica e tem grande sucesso na empreitada.

Em um primeiro momento, acompanhamos todo o clamor e empolgação do mundo com a eleição de Chavez, a volta de um comandante que tentou, anos antes, um golpe fracassado, mas que aproveitara seus 2 minutos de TV para posicionar-se como futuro político, e mesmo tendo passado anos preso, fora conduzido ao poder pela união das forças de pequenos partidos de esquerda. É simplesmente emocionante.

Vemos um político preocupado em governar para os pobres, criando conselhos “comunitários”, programas sociais e subsídios que visavam uma melhoria na dignidade dos mais humildes, e isso Hugo Chavez fez com sucesso. Vemos um homem carismático que como poucos políticos, tinha o poder de conversar com o povo e entender suas ânsias, justamente por ter sido povo e também, claro, por uma qualidade quase única em se expressar.

Jornalista encara a fera: no programa do Presidente, preparo não impediu de Rory Carroll ser esculachado!

Jornalista encara a fera: no programa do Presidente, preparo não impediu de Rory Carroll ser esculachado!

Mas em meio a tudo isso, vimos um político que se abdicou em otimizar o sistema burocrático da máquina estatal, usando-a para simplesmente se manter no poder, em prol de uma revolução que no papel era linda, mas na prática um verdadeiro desastre. Um aparelhamento do Estado de forma desorganizada e desordenada, dificultava o avanço de projetos que exigiam um pontinho a mais de complexidade, tendo em vista, que esse aparelhamento visava simplesmente reproduzir as ideias amalucadas de Chavez, que em um momento tinha um projeto e no outro já o abandonava e corria para outro, dando quase nada de liberdade de trabalho a seus ministros e simplesmente onerando os cofres públicos, abastecidos pelos petrodólares.

O petróleo, que em outros tempos fora importante participe no orçamento nacional, estimava-se 80%, no meio do Governo, já estava em 96%, e operando no vermelho, devido aos poucos investimentos tecnológicos na área e a reestatização de muitos setores, que acabaram, anos depois, sucateados e exemplos claros e notórios de um socialismo desorganizado, aliás, desorganização foi uma constante.

Conexão com o povo mais humilde e carisma, fizeram de Chavez um líder imbatível nas urnas!

Conexão com o povo mais humilde e carisma, fizeram de Chavez um líder imbatível nas urnas!

Em meio a todo esse cenário, nos deparamos com temas caros a América Latina: corrupção, inflação, violência, manipulação de mídia e economia indo a bancarrota e um Governo, que se perdeu no caminho. O livro mostra a degradação da esperança, de um projeto, Chavez em seus dois primeiros mandatos mudou a vida dos pobres, criando uma base eleitoral forte que possibilitou o mesmo a descumprir promessas, como o de ter apenas um mandato, e mais: mudar a constituição para se manter no poder ad-infinitum, se não fosse o imponderável da vida, que lhe deu um câncer que colocou um ponto final em sua história.

Simón Bolívar, revolucionario foi alçado ao patamar de "Santo" por Hugo Chavez.

Simón Bolívar, revolucionario foi alçado ao patamar de “Santo” por Hugo Chavez.

Após a morte de Chavez, presenciamos hoje na América Latina, a decadência do Chavismo, que entre outras coisas, minou o estado, a ponto de o país estar à beira da guerra civil. O homem que inspirou os líderes da América Latina, criando um movimento, hoje se tornou uma paródia do próprio projeto e líderes no Brasil, Uruguai, Bolivia, Paraguai e Equador, que tinham sido “influenciados” pelo mesmo, seguiram um outro caminho, mais democrático e entre erros e acertos, parecem terem se saído melhor que o mestre.

O que acredito, é que, talvez se Chavez tivesse ficado no primeiro ou segundo mandato, teríamos uma visão diferente sobre seus anos à frente do País e uma história melhor para a Venezuela, que mesmo com uma reserva milionária de petróleo, é o exemplo claro do que a má gestão pública faz a longo prazo.

Uma grande leitura e um fim deprimente, para o sucessor de Simón Bolivar.

É pau na Lomba!





A BIOGRAFIA DO ZÉ DIRCEU

5 01 2014

Já faz um bom tempinho, tenho concentrado minha leitura em biografias. É uma paixão adquirida recentemente e está virando quase uma obsessão, na lista de espera, tenho desde JK (O nosso Juscelino), passando por Hillary Clinton, Hitler e Chatô.

Recentemente, a biografia que devorei, até mesmo para entender melhor todo um processo que muitas vezes sai deturpado pela mídia, é a biografia do ex-chefe da Casa Civil e homem forte do governo Lula: Zé Dirceu.

Dirceu diz que tem muito a contar, mas só depois dos 80!

Dirceu diz que tem muito a contar, mas só depois dos 80!

Escrita por Otavio Cabral e com uma narrativa forte e envolvente, vemos a história de um dos homens mais poderosos de nossa política. Da ascensão a queda, se é que podemos dizer que chegou a queda de Dirceu, pois como diz um amigo, a política é dinâmica e tudo pode acontecer.

Mas o que entendo, lendo a biografia, é que Zé Dirceu virou sinônimo de uma prática que infelizmente, é corriqueira, o chamado Mensalão. Não se engane, essa prática é comum por todo o Brasil e muitos criminosos, sim, criminosos, pois isso nada mais é que um ato de corrupção que assola e degenera toda uma estrutura democrática que em tese, deveria servir para beneficiar as pessoas, muitos mesmo, fazem uso dela.

O grande líder estudantil do passado, foi um dos homens mais fortes do País durante 30 meses!

O grande líder estudantil do passado, foi um dos homens mais fortes do País durante 30 meses!

A chamada “GOVERNABILIDADE” tanto alardeada pelos políticos cria essa situação esdrúxula e tão corriqueira em nossa política. Em tese, funciona assim: o político que está no poder, sentado na cadeira do executivo, precisa fazer seus projetos avançarem, sejam projetos que beneficiem a população ou projetos que beneficiem o “borso” próprio. Para isso, precisa ter um apoio considerável, principalmente de alguns oposicionistas (não necessariamente, isso que é bizarro), ai os caras vão lá e “moíam” o “borso” desses políticos para que eles os apoiem em seus projetos.

Viram o absurdo da coisa? Você escolhe alguém para lhe representar, paga polpudos salários e benesses e o cara ainda quer o chamado “por fora”?

O mensalão foi o reflexo do que acontece Brasil afora, não apenas no PT, mas em grande parte dos partidos, principalmente os chamados fisiológicos. Temos o “mensalão do DEM”, o “mensalão do PSDB” e mais outros, que sequer imaginamos.

Banqueiros, deputados e empresários fizeram parte do esquema em busca da tal "GOVERNABILIDADE"

Banqueiros, deputados e empresários fizeram parte do esquema em busca da tal “GOVERNABILIDADE”

Tudo em prol da chamada “Governabilidade”.

Quem é o prejudicado em tudo isso? O povo, pois dia a dia vemos ir para o ralo bilhões e bilhões que poderiam ser usados para a melhoria da vida do Brasileiro, que precisa esperar horas na fila do SUS para um atendimento rotineiro e meses e anos, para um simples exame.

Sim, a prisão de Zé Dirceu e a trupe, ou Gangue, dependendo do ponto de vista, é um bom exemplo para o País. Mas precisamos de mais exemplos meus amigos, mais exemplos pelo Brasil afora, por diversos municípios que adotaram e mantém essa prática na maior cara de pau.

Chegou a hora do Judiciário, o MP e a PF pegarem pesado contra a prática, que na verdade não pertence apenas a Zé Dirceu e seus asseclas, mas pertence a um sistema nefasto implantado há séculos, desde que o Brasil é Brasil, tornando-se quase um conceito. Acreditem, essas prisões não resolvem o problema nem em 0,0001%, o caso SIEMENS, que envolve o PSDB que o diga.

É pau na Lomba!





O LIVRO DO BONI

28 03 2012

“Ex-todo-poderoso da rede globo, relata em livro sua trajetória!”

Acabo nesse exato momento em que vos escrevo essas palavras, de ler o robusto “LIVRO DO BONI”, escrito (segundo ele) por ele mesmo e publicado de forma confortável para leitura pela editora CASA DA PALAVRA, em 450 páginas de puro conhecimento técnico e artístico do negócio televisão.

Claro, estamos falando de um profissional que viveu a evolução da TV Brasileira de forma ampla, que chegou aos 80 anos de idade e mantém, em cada página, aquele saudosismo que estamos acostumados quando conversamos com pessoas experientes quanto à vida. Mas é uma leitura mais que obrigatória.

Ouvi, antes de adquirir o livro, críticas de todos os tipos, coisas como:

“É para preencher o ego do Boni!”

“Nada ali transmite um conhecimento prático!”

“É desorganizado e pouco literário!”

Entre tantas outras ofensas, algumas inclusive chegando a usar palavrões que corariam até mesmo a saudosa e amiga de Boni, diga-se de passagem, Dercy Gonçalves. Oras, após o final da leitura, posso dizer que mesmo imperfeito como um escritor literário, Boni se sai um excelente contador de prosa e seu livro é uma leitura agradável e prazerosa.

O livro é como uma conversa com uma pessoa experiente, que passa seu conhecimento através de histórias, exemplos e versões subjetivas do que aconteceu de fato, mas o conhecimento ali transmitido é de suma importância.

Não preciso me alongar muito quanto ao currículo maravilhoso de Boni, que passou por rádios, TV’s, agências de publicidade, jornais, gravadoras e tudo que envolve a palavra comunicação. Sempre com uma competência e uma força descomunal para realizar e consequentemente, obter sucesso.

Suas palavras são uma aula de como produzir televisão ou como ser um executivo de sucesso. Perseverança, raciocínio rápido, trabalho, decisões complicadas e visão de futuro única, foram alicerces básicos para este cara alcançar o sucesso.

No livro não lemos revelações bombásticas, fofocas, polêmicas ou coisa do tipo, mas sim palavras que são lições de vida profissional, que deveriam sim ser lidas e captadas com bastante atenção.

Goste ou não da Globo e de seu sucesso, é uma leitura no mínimo transformadora, para o bem ou para o mal.





SUÍTES IMPERIAIS

19 12 2011

“Mais uma viagem ao insano e degradante universo de Bret Easton Ellis!”

O novo trabalho do escritor norte americano Bret Easton Ellis talvez seja realmente seu livro menos inspirado, mas numa galeria em que temos o seminal “Abaixo de Zero”, o provocante “Regras da Atração”, o livro de contos “Os Informantes”, o polêmico e transgressor “Psicopata Americano”, o genial e experimental “Glamorama” e o hilário e criativo “Lunar Park”, esse menos inspirado, ainda significa uma obra pujante e envolvente, tanto na forma, quanto conteúdo. Bret Easton Ellis ainda é um escritor para poucos, infelizmente…

A ironia de tudo isso é que nesse mercado cercado por best-sellers e continuações desnecessárias, que ele tanto criticou por exemplo em “Glamorama”, a continuação de seu Debut, “Abaixo de Zero”, é mola propulsora que engrena esse novo petardo literário. Mas engana-se quem pensa que vai encontrar mais do mesmo nessa obra, muito pelo contrário, Bret nos leva a uma nova e intrigante direção, desafiando o senso de limite do leitor ao assumir, que a trama ali descrita é superficial e inexistente, pra não dizer surreal.

E obviamente os personagens poderiam ser reais ou não, afinal, quem se importa com eles? Esse desafio ao leitor dá animo e carga dramática a “SUÍTES IMPERIAIS”, uma epopeia bizarra de um roteirista de Hollywood que se vê de volta ao mesmo ambiente que crescera, só que agora bem sucedido e ainda com uma série de dilemas, além, claro de ter adquirido algumas novas falhas morais.

O estilo “clipesco” de “Abaixo de Zero” volta nessa sequência e a mesma sensação de vazio e de que nada interessante está acontecendo também. Obviamente é tudo proposital e ironicamente coreografado na cabeça do escritor que admite tê-lo escrito enquanto degustava vinhos. Outro ponto a se destacar é a falta de humor nesse trabalho; em suas últimas obras, Bret oferecia um humor negro, irônico e muitas vezes abusava de referências à cultura pop, tudo isso é meio que dosado nessa obra e pode causar estranheza em fãs de Bret.

Mas quando avançamos página a página, vemos personagens entrar e sair de cena num ritmo acelerado e acompanhamos os coadjuvantes e a tentativa de enviesar uma trama de mistério no meio, diálogos rápidos e uma auto paródia permeando a prosa, vemos que a maior qualidade de Bret Easton Ellis é não se levar tão a sério, mesmo com o talento que tem. Com isso temos a imprevisibilidade e, essa surpresa que surge do imprevisível, é que o torna um escritor tão instigante e desafiador a cada trabalho.

Bret Easton Ellis, um gênio, que possivelmente só será mais apreciado, após sua morte, pois nesse momento, é quando costumam fazer um balanço real do trabalho de um artista. Uma pena, pois quem o aprecia nesse momento, está anos luz a frente de seu tempo.





O Gerente, o Presidente e o Garoto.

4 10 2011

Uma empresa com 30 anos de história estava falindo. Nesses trinta anos, pouco avançou, pior, retrocedeu e muito. Seu Gerente tinha 25 anos à frente da empresa e a defendia a ferro e fogo, cheio de argumentos e desculpas para o insucesso da mesma. Certo dia, o Presidente, que até então nunca havia se posicionado quanto a tamanho fracasso, tendo em vista que suas outras empresas sempre financiaram a esta outra, anunciou que o Gerente seria substituído por um novo, e que o novo gerente tinha apenas 20 anos e uma nova visão de negócio.

O experiente Gerente disse:

– Como isso? Se eu que tenho 30 de empresa e conheço todos os caminhos, ainda não consegui o sucesso, como um jovem de apenas 20 anos o conseguirá? Quando eu comecei aqui ele não tinha nem nascido!

O Presidente, que tinha aquela empresa apenas como hobby, pois era o sonho de seu velho pai, encarou o gerente de modo frio e profissional como nunca tivera feito antes. Vale dizer que as outras empresas dele eram um sucesso, pois ele tinha uma visão progressista quanto a negócio, mas naquele momento ele se perguntou: “O que passou pela minha cabeça ao deixar esse cara por 30 anos aqui?”. Ele deu um sorriso e respondeu:

– Bem, você teve 30 anos e foi incapaz de avançar um centímetro nessa empresa, pior, retrocedeu… O que você tinha para me mostrar, já me mostrou, agradeço seu esforço, mas a verdade é que o senhor é um derrotado e acomodado. Não soube nesses anos aprender com as derrotas e muito menos teve vontade de vitória, o fato é que a vida é curta e o tempo passa…

O Gerente, que até então se sentia intocável, sentiu um frio na barriga e frustração, ele entendera que tudo que acabara de ouvir era uma grande verdade e não tinha argumentos consistentes. Decidiu então partir para ofensa ao jovem que ele não conhecia, usando a velha estratégia da falta de experiência e de ser novo na empresa. Após a explanação, o Gerente, sentindo-se por cima na discussão, questiona:

– Aí eu gostaria que o senhor me respondesse: Qual seria a vantagem desse jovem na empresa?

O Presidente deu um sorriso irônico, ajeitou o terno e respondeu:

– Simples. Nele existe pelo menos a esperança, embora jovem, sua cabeça está borbulhando de novas e interessantes ideias. Vale dizer também que o garoto tem uma vantagem muito importante quanto a você: ele é uma folha em branco, não foi derrotado tantas vezes e o melhor, já tem uma vitória no jogo, que é o novo trabalho dele. Você já me mostrou nos últimos 30 anos do que é capaz e o jovem, não, ou seja: chega um momento, em que a mudança não só é essencial, mas também o último recurso de quem quer ver as coisas andando certo e com sucesso.

O Gerente saiu cabisbaixo da sala do Presidente.

Antes de começar sua gestão, o Garoto pediu uma reunião com o antigo Gerente. O Presidente sem entender questionou o garoto:

– Por quê? O que você acha que pode aprender com alguém que não deu certo?

O Garoto, com a ousadia que a idade lhe dava, respondeu rindo:

– Simples: o que não fazer!

Após a reunião, que durou duas horas, o Presidente o encarou e perguntou: E ai? O que não fazer?

O Garoto, muito frio em sua posição, respondeu:

– Ai é que está… A questão não é o que não fazer, mas sim “fazer”… Fazer envolve coragem, fazer é saber que você pode errar e acertar, é um risco, fazer é correr riscos, mas sem riscos, a vitória não vem.

Depois de 10 anos a frente da empresa, o Garoto, como é conhecido até hoje, inovou em muitas questões, acertou em um bocado e errou em outro bocado, mas conseguiu transformar a marca de refrigerantes de sua empresa, na quarta mais vendida no Brasil e hoje é um dos donos da empresa que começou como gerente.

Certa vez perguntaram para ele:

– Qual sua próxima meta?

– Ser a marca mais vendida no Brasil e depois no mundo!

– Mas a primeira é a Coca Cola, seu refrigerante não chega aos pés dela quanto ao gosto!

– Como disse, primeiro minha meta é ser a mais vendida, depois, a mais gostosa, toda mudança exige certo tempo e trabalho.

Até hoje a Coca Cola, mesmo não sendo incomodada de fato pela empresa, tenta a todo custo comprar a fábrica de refrigerantes populares.

Cristen Charles

Em homenagem a Antonio Carlos Pucciarello, o mais aguerrido e corajoso profissional com quem trabalhei. Não tinha medo de riscos e era ousado até a última medula.