OCASIÃO-CURTA METRAGEM

14 10 2016

“Quero falar com vocês sobre meu próximo trabalho”

Sim, estou ansioso para voltar um pouquinho as origens e fazer o que eu gosto muito: cinema. Estou trabalhando em um curta metragem, com um roteiro meu e que há anos me persegue para que seja realizado, estou falando de “Ocasião”.

ocasiao

“Ocasião” surgiu da necessidade de se discutir a corrupção e suas origens, discuti-la sem hipocrisia e mostrar que infelizmente esse cancro social, faz parte da alma do brasileiro. O roteiro obviamente não é algo político ou panfletário, mas é um roteiro que relendo a luz do tempo, já que o escrevi há alguns anos, existe um pouco de cinismo, descrença e pessimismo.

A história fala sobre um rapaz dono de um sebo, que sofre com um casamento infeliz e a falta de dinheiro e vê a possibilidade de sair desse buraco, explorando uma tragédia social. É seco e intenso.

O filme contará com minha direção e roteiro e estamos no momento trabalhando no texto, nos próximos dias pensaremos na montagem da equipe técnica e em breve a montagem do cast. Posso dizer que estou ansioso e empolgado.

Quem tiver interesse, entre em contato em meu email: contato@programanamira.com.br

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BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE

19 01 2013

“Mesmo inferior aos outros dois, filme mantém pegada e chega ao fim de uma trilogia com dignidade e homenagem aos fãs!”

TIM BURTON

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Estive em 1989 na primeira sessão de cinema de minha vida, com um saco de pipoca em mãos e acompanhado de meu amado irmão mais velho, Itamiro, e de nosso amigo vizinho, Itamar. Fomos todos assistir BATMAN, dirigido por Tim Burton e com uma atuação espetacular de Jack Nicholson como o Coringa. Muitos torceram o nariz para o baixinho Michael Keaton como Batman, mas a sua época, o filme funcionou bem e passou anos incólume como a maior transposição do universo do homem morcego para as telonas, superior ao legal “BATMAN RETURNS” e infinitamente melhor que os infames “BATMAN FOREVER” e “BATMAN & ROBIN”, que mesmo ruins, tinham lá um grau de divertimento descompromissado a la ADAM WEST.

Batman Returns

BATMAN BEGINS – O INICIO DA ERA NOLAN.

Já em 2005, 16 anos depois de minha primeira experiência e de ter a visão de Burton como a mais correta até então no cinema, volto ao cinema, emocionado e de forma até um tanto quanto romântica, para acompanhar a nova epopeia do HOMEM MORCEGO nas telonas. Passaram-se os anos, muitos gibis depois, já tinha uma vasta gama de conhecimento sobre o universo do personagem, ou seja, a experiência seria deveras diferente.

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E eis que vejo um filme espetacular, roteiro maravilhoso e referências ao fantástico quadrinho BATMAN ANO 1, de Frank Miller, que por sinal foi a base de grande parte do filme. Mas claro, o novato Cristopher Nolan tinha sua visão do personagem e preencheu com perfeição os aspectos fílmicos que uma adaptação de HQ necessita. BATMAN de Tim Burton já estava, aqui, superado e ficado há milhões de quilômetros da qualidade desse filme como cinema. Uma virada na história, que até mesmo o mais fanático fã do personagem não teve a sensibilidade de sacar, já mostrava que Nolan entendia bem o universo de BATMAN e mais do que isso: entendia de grande cinema; sabe aquele com grandes roteiros, interpretações e por ai vai? Bem, isso fazia falta até então!

Christian Bale, ator que eu já gostava muito desde que interpretou outro personagem que amo – Patrick Bateman, o Psicopata Americano, trouxe uma profundidade a Bruce Wayne/BATMAN, que deve ter causado um bocado de vergonha a interpretação robótica, mas competente, de Michael Keaton, Val Kilmer e George Clooney então nem se fala.

BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS – O MELHOR FILME BASEADO NUMA HQ DE TODA A HISTÓRIA DO CINEMA.

Mas nada nos preparava para algo tão intenso, arrebatador e genial quanto BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS, que de longe é a melhor adaptação de uma história em quadrinhos para a sétima arte. Fotografia primorosa, trilha sonora fantástica, direção competente, clima épico e interpretações arrebatadoras.

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O que dizer então de Heath Ledger e sua visão do CORINGA, o vilão dos vilões? Intenso, inspirado e possuído por uma força dramática descomunal, a interpretação vencedora do Oscar póstumo (justamente, diga-se de passagem), é uma das maiores da história do cinema e choca, até hoje, fãs que viram o filme pelo menos mais de dez vezes (meu caso).

BATMAN O CAVALEIRO DAS TREVAS amplia a proposta de Begins e nos entrega uma Gotham que sentimos e respiramos; quando CORINGA ameaça a cidade, todos estão ao mesmo tempo embriagados pelo carisma do personagem e ameaçados também. Só resta o Batman para nos defender.

Cenas de ação espetaculares (assalto ao banco no inicio, a cena do prédio, perseguição do Coringa e outro montante), dramas bem desenvolvidos e um trabalho calculado milimetricamente para que possamos cada um, a sua maneira, fazer uma análise pessoal da psicologia desses personagens.

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A pergunta era: Se a série de NOLAN, desde o inicio fora pensada como uma trilogia, como superá-la?

Talvez, se Heath Ledger não tivesse morrido tragicamente, teríamos uma obra que jamais sairia de nossas mentes, mas com o falecimento de Ledger, a missão de CHRISTOPHER NOLAN era um tanto quanto ingrata.

BATMAN O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE – COM O QUE TINHA EM MÃOS, NOLAN FEZ O MELHOR!

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Bem, após a perda de Heath Ledger e sua visão caótica do Coringa, Nolan, que até então planejara minuciosamente a trilogia, viu que não teria jeito de trazer o personagem de volta sem tirar o foco da dramaturgia, pois comparações seriam inevitáveis, então qual foi a alternativa? Centrar-se em outros vilões de peso nas HQ’S: Bane e a sensual Mulher Gato, que não é, necessariamente uma vilã.

O desfecho da trilogia estava sendo aguardado pelos fãs com muita ansiedade, inclusive por mim – qual seria a leitura de um personagem complexo como Bane no universo de Nolan? Como se sairia a Mulher Gato? O filme conseguiria superar o magistral e audacioso CAVALEIRO DAS TREVAS? São perguntas que todo fã matutava esperando o dia da estreia para então, só assim, obter a resposta.

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Primeiramente, desde o primeiro quadro, até o último, BATMAN O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE é gigante, épico e cheio de “panca”. Não espere o minimalismo dramatúrgico e até estético de BEGINS e nem a narrativa caótica e fragmentada de BATMAN O CAVALEIRO DAS TREVAS. Aqui temos um filme bem pensado, linear, e idealizado para que seja o final de uma trilogia digna das grandes obras do cinema, é o LAWRENCE DA ARÁBIA ou E O VENTO LEVOU dos filmes de Super Heróis, é pretensioso e extremamente artístico, mesmo sendo um produto de entretenimento, as cenas em IMAX só potencializam isso.

É um filme para ser visto, revisto e discutido durante anos, inclusive deve ser maravilhoso assisti-lo em sequência, junto com os outros dois que o precederam. Aqui o roteiro de Nolan dá a dimensão da trilogia, que usou e abusou de textos originários dos quadrinhos como: “BATMAN ANO UM”, “BATMAN O LONGO DIA DAS BRUXAS”, “BATMAN A PIADA MORTAL”, “BATMAN SAGA TERRA DE NINGUÉM”, “BATMAN O CAVALEIRO DAS TREVAS”, “BATMAN SAGA A QUEDA DO MORCEGO”, “BATMAN O FILHO DO DEMÔNIO” e tantos outros, que foram a base de roteiros sólidos e totalmente originais, que procurou, dentro do possível, agradar a gregos e troianos.

Essa junção de temas abordados nos quadrinhos, mesclado com uma nova e particular visão do diretor, deu semelhança e relativa fidelidade aos quadrinhos e trouxe uma nova roupagem ao universo fílmico do Homem Morcego, sendo uma visão única e autônoma.

O último filme da trilogia já começa grande, com a primeira operação de Bane, personagem que é um misto de força física com precisão de um estrategista de primeira. A partir daí já sabemos que Batman encontra fisicamente, seu maior oponente dentro da trilogia.

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Batman está afastado das ruas há 08 anos, após o incidente com Harvey Dent (fim do segundo filme), que originou uma lei que praticamente pacificou as ruas de Gotham, Batman é um personagem obsoleto para os novos tempos, onde a política tomou o seu lugar para o bem e para o mal de Gotham.

Como na saga “A QUEDA DO MORCEGO”, quando Bane surge nos subterrâneos de Gotham e começa a colocar seu plano em prática, um Bruce Wayne já combalido pelos anos de luta, se vê obrigado a voltar à ativa, e acreditem, falar mais do que isso sobre o filme só iria estragar o prazer de assisti-lo e se surpreender frame-a-frame.

Temos a anarquia instaurada em Gotham (bem provável que se Heath Ledger estivesse vivo, o Coringa possivelmente estaria com Bane, por trás de tudo), e a cidade de repente, se vê dependente de um Batman que já não é mais o mesmo. O clima do filme é como um retorno de uma banda veterana de Rock, num dado momento quando Batman volta de seu exilio, vemos um Policial veterano comentando com um novato: “Prepare-se para um show inesquecível!”, chega a arrepiar.

Trilha sonora precisa, cenas antológicas (a cena de encontro cara-a-cara Bane X Batman é soberba, tanto na primeira quanto na segunda luta), reviravoltas que senão originais, ainda assim surpreendem e fotografia esplêndida em todo o poderio imagético do formato IMAX, dá ao filme uma dimensão soberba, épica e arrebatadora.

Mas o filme carece de um vilão da potência de um CORINGA, o filme anterior nos deixou mal acostumados, e mesmo Bane sendo um ótimo vilão, numa construção perfeita do excelente Tom Hardy, que mesmo limitado pela máscara fez um trabalho espetacular com expressões corporais e vozes; e a presença de uma Mulher Gato contida, numa atuação muito boa de Anne Hathaway, não são o suficiente para consolar os fãs mais fervorosos.

Na ânsia de querer funcionar, o filme liga alguns fatos, trás de volta alguns personagens, ameaça, de forma forçada, diga-se de passagem, uma reviravolta lá pro final, que deve agradar aos jovens fãs de Batman, mas causar algum desconforto nos veteranos e se assume como filme de Super Herói.

Aliás, essa é uma das principais qualidades desse filme, vemos aqui um Batman menos pé no chão e mais lúdico. Temos os vilões que explicam seus planos nos mínimos detalhes, talvez uma homenagem ao Batman de Adam West e um final surpreendente, mas se você assistir com atenção os outros filmes e procurar uma coerência narrativa na trama e for um pouquinho experiente nos quadrinhos, logo deve ganhar qual o “ROSEBUD” do filme.

Por fim, “BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE” não deve ser analisado autonomamente como os outros dois filmes, que podiam ser facilmente digeridos sozinhos, sem a necessidade de se conhecer o outro, no fim da trilogia, a coerência com os outros dois filmes é a força motriz, sem isso, temos apenas um filme de ação confuso e mediano, coisa que ele, de fato, não foi pensado para ser.

Vou me arriscar, mesmo tendo visto o filme apenas uma vez, a dizer que ele é um pouquinho inferior ao Begins e bem inferior ao Cavaleiro das Trevas, mas acreditem, ainda assim é superior a grandes filmes de Super Heróis, como: Superman, Capitão América, Homem de Ferro e semelhantes e o mais importante, melhor que BATMAN, BATMAN RETURNS, BATMAN FOREVER E BATMAN & ROBIN, propostas diferentes do universo perturbador do personagem.

BATMAN O CAVALEIRO DAS TREVAS, filme que eternizou Heath Ledger, é possivelmente o melhor filme de super-heróis da história do cinema e dificilmente terá seu posto tomado, mas lembre-se, faz parte de toda uma trilogia pensada milimetricamente, que teve que mudar o percurso num dado momento, mas mesmo assim manteve a dignidade e coerência, é isso que dá força a BATMAN O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE.

NOTA 8,5 de 10.

Batman–O Cavaleiro das Trevas Ressurge
Duração: 164 minutos
Estúdio: Warner Bros.
Direção: Christopher Nolan
História: Christopher Nolan e David Goyer
Roteiro: Christopher Nolan e Jonathan Nolan
Elenco: Christian Bale, Michael Cane, Gary Oldman, Morgan Freeman, Tom Hardy, Joseph Gordon-Levitt, Anne Hathaway, Marion Cotillard, Liam Neeson, Cillian Murphy





Vídeo da Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo!

22 07 2012

Tive a honra e o prazer de participar, mesmo que brevemente, do vídeo da Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo, mais especificamente no trecho que fala do Porto de pesca. Foi uma participação curta, mas que muito me honrou, pois pude, de alguma forma, participar de uma ferramenta que visa divulgar nossa cidade e suas qualidades turísticas.

De curiosidade, o vídeo foi filmado com uma Câmera HDSLR, Canon 5D Mark II, Lentes: 18-55mm, 50 mm. Que qualidade linda, é com equipamento semelhante a esse que produzirei o curta metragem: OCASIÃO.





Tragam-Me a Cabeça de Alfredo Garcia

18 02 2012

“Poeta da violência, esteta da violência… Sam Peckinpah era um gênio atrás das câmeras e capaz de criar fábulas brutais e marcantes como esse filme que, sim, ele vai te deixar sem fôlego!”

Alfredo Gárcia é um mexicano esperto, que engravida a filha de um fazendeiro. O fazendeiro, puto da vida, oferece um prêmio pela cabeça dele: um milhão de dólares. Mercenários partem atrás do alvo e acabam contratando Benny, um cantor em decadência que conhece Alfredo. Só que o infeliz, Alfredo, morreu em um acidente de carro. É quando Benny decide, junto com sua namorada, ex-namorada do falecido, partir em busca da cabeça dele, que será enterrado em seguida… Na esperança de conseguir 10 mil pelo serviço, o que acontecerá quando ele descobrir que a cabeça vale um milhão?

Filmado no México, com parcos recursos, equipe técnica local e locações de equipamentos, “Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia” é um filme sujo, fedido, marginal, ofensivo, totalmente off-Hollywood. Sam Peckinpah, que aqui estava no fim de sua carreira brilhante, só aceitara o trabalho porque não conseguia mais filmar nos E.U.A e seu problema com alcoolismo foi responsável por isso.

Mas se você pensa que as limitações, que o roteiro irregular em alguns instantes, escrito por Frank Kowalski e Sam Peckinpah, em cima de um excepcional e absurdo argumento do próprio Peckinpah e Gordon T. Dawson iria atrapalhar o trabalho, engana-se: Peckinpah, decadente e filmando fora de seu habitat natural, dá uma aula de cinema e narrativa, criando uma bela e suja obra de arte.

Como sempre, não há esperança no universo idealizado pelo cineasta, os personagens são todos errantes e estão na iminência de uma morte trágica e violenta, o ambiente é opressor e os personagens centrais aparentam não ter nada a perder. Mais do que isso, tenho a impressão que a teoria dramática imposta pelo roteiro que como dito antes, erra um pouco no ritmo, mas cria grandes momentos, é que não importa o meio social, nacionalidade ou intelecto, a violência coloca todos em um mesmo patamar; é como se dissesse o velho ditado popular: “Depois que inventaram o chumbo, não existem machos… Heróis!”.

O fazendeiro, poderoso e arrogante, por ego quer impor uma pena por conta própria ao homem que engravidou sua filha, que oprimida pela persona machona do pai, sofre com o acontecimento e sente falta de seu homem, mesmo sendo ele um marginal e calhorda. Com poucas cenas, Peckinpah desenha esse cenário, com um inicio poético e muito artístico, uma aula de gramática cinematográfica.

Os mercenários americanos são arrogantes e se sentem superiores a todos, inclusive ao fazendeiro, mas como o dinheiro é o que importa, eles fazem questão de demonstrar a superficialidade e pouco apreço e respeito pela vida humana, ainda mais em um país de terceiro mundo. Seria essa a crítica de Sam Peckinpah ao estabelishment cinematográfico de Hollywood? Chega a parecer realmente, pois o escritório deles lembra e muito o de um estúdio que trata a arte como um produto.

Já Benny é um personagem maravilhoso, marginalizado, pobre, quebrado e que vê no acontecido uma esperança de mudar de vida.  Sua paixão por Elita, ex-namorada de Alfredo, é com interesse e claramente sem amor, sem profundidade, mas esses personagens, durante a viagem, criam um amor que inexiste em ambos, um romance que eles tentam criar, forçar, para simplesmente amortizar a dureza de uma realidade patética e brutal.

Warren Oates dá um show como Benny e carrega o filme nas costas em grandes momentos dramáticos, dando uma profundidade clássica ao personagem que poderia ser o alter ego do diretor, um alcoólatra que passa o filme inteiro, até mesmo em cenas internas, dormindo, de óculos escuros.

Elita, interpretada por Isela Vega, embora seja limitada como atriz, é uma personagem que também poderia ser um álter ego do diretor, uma personagem talentosa como cantora, com uma bela voz, mas perdida naquele trágico e triste universo, esperança zero.

Peckinpah ainda oferece cenas polêmicas e bizarras, como quando Benny está retirando “chatos” de seus pelos pubianos, num quarto sujo, algo que na mão de um diretor Zé Mané, poderia facilmente se tornar uma cena descartável, mas nas mãos desse genial diretor, torna-se poesia pura e tem uma função dentro de sua estrutura gramática de cinema.

Sua marca ainda persiste em diversos momentos, nas as cenas de violência em câmera lenta (copiada brilhantemente por John Woo durante sua carreira), o clímax violento e brutal e a matança geral com troca de tiros. A cena final na fazenda, mais precisamente no escritório do fazendeiro, é brutal, épica e poeticamente linda e coerente com todo o contexto do filme.

Para concluir, há o final, onde vemos o plano detalhe de um cano de arma trabalhando, como se tivesse apontando para nós espectadores e dizendo: vocês não estão livres da violência, mesmo no conforto de seus lares… Talvez existam outros significados, afinal, um poeta muitas vezes é subjetivo.

Bem, não tenho muito mais o que dizer, apenas que essa é uma daquelas obras que merecem ser apreciadas e que a nota é máxima, pois é cinema da mais alta qualidade.

Nota 10 de 10!

 

 





O ALBERGUE Parte III

21 12 2011

“Sequência do clássico absoluto de horror dos anos 2000, só serve para mostrar o quão genial é Eli Roth e quanto os outros filmes eram melhores do que aparentavam!”

A capa é muito bem sacada!

Há alguns anos, lembro-me que tive uma experiência fantástica com o cinema, mais precisamente com as emoções que o cinema era capaz de nos proporcionar, recordo ainda de ter pensado lá no meu íntimo: “Isso que é cinema MESMO!”. Era mais ou menos assim, o cinema de Piracicaba lotado de jovens, o filme era “O ALBERGUE” e aquele primeiro ato do filme, o qual um grupo de turistas americanos viajava para Bratislava e lá começa uma verdadeira farra com as mulheres, no melhor estilo das comédias adolescentes americanas tipo “American Pie”. Era a estrutura base até então.

Naquele primeiro ato, todos ficavam rindo em voz alta, conversando, jogando pipoca um no outro, um inferno. Irritado, deixo minha namorada na poltrona e vou reclamar com o lanterninha, um senhor de aproximadamente uns cinquenta e cinco anos, que apenas olha para o relógio, aponta para a tela e me diz:

– Aguarde mais uns sete minutinhos e veja a arte se fazer…

Primeiro filme adotou o Torture Porn como subgênero

Após os precisos sete minutos, o filme tem uma quebra de tom e ritmo e entra uma cena de tortura assustadora, onde um jovem amarrado, desesperado, tem os seus “tendões de Aquiles” cortados e o assassino, sadicamente apenas diz: “Corra!”… Você já pode imaginar o resto né?

Naquele momento, eu vi um cinema até então barulhento, ficar silencioso, o público grudar na poltrona e pessoas vomitarem ou saírem da sala com um mal estar terrível. Realmente foi um acontecimento marcante e que ilustra as qualidades do filme como entretenimento de qualidade, porque a arte deve antes de qualquer coisa causar algum tipo de emoção/reação no espectador, nem que seja o asco.

Insano diretor é um gênio quando se fala de sadismo!

Os críticos no Brasil não entenderam a sacada de Roth e se talvez Tarantino tivesse assinado o filme, eles achariam genial, mas era apenas um jovem cineasta que antes tinha dirigido uma pequena obra de arte de horror intitulada “Cabin Fever”, em que homenageava o horror oitentista com muito estilo, oras, essas “monas” não aguentaram o excesso de violência.

Roth como um bom pesquisador do gênero, fez referência aos mestres da violência extrema, como por exemplo, TAKAHASHI MIIKE, numa participação genial e também ao clássico filme asiático “Suicide Club”, numa cena gore espantosa. Todos os predicados para um grande clássico do cinema de horror estavam presentes no filme, que costuma figurar nas listas de especialistas como um dos melhores de todos os tempos quando o assunto é horror, com grande justiça, diga-se de passagem.

Segundo filme é hardcore e leva o estilo para uma nova direção!

Anos depois Roth volta com o “Albergue 2”, que muda o foco, colocando mulheres na jogada (no primeiro ele foi chamado de misógino), ele leva a coisa para uma nova direção, coloca violência ainda mais extrema e algumas cenas de puro mal gosto para alguns, mas a intensidade e verborragia típicas de Roth estavam lá, a cena onde ele homenageia a condessa Bathory, numa banheira de sangue, já é antológica.

Homenagem a condessa Bathory é cena clássica do horror moderno!

O que unia esses filmes é que eles não eram obras bobocas simplesmente, existia um processo dramatúrgico nas interpretações e sim, Eli Roth é um grande diretor de atores, dos bons mesmo. Mesmo que ele faça obras focadas para um público adolescente, desde “Cabin Fever” ele já mostrava uma técnica apurada para a direção de atores.

Por exemplo, as cenas de tortura eram simplesmente desesperadoras, mas qual era o timing técnico? Ao invés de apostar na cena do corte da motosserra propriamente dita, por exemplo, ele focava a interpretação nos segundos que antecediam o corte, no desespero, no revirar do estômago, nas lágrimas, criando momentos realmente perturbadores.

Toda a reflexão acima não é em vão. Quando fora anunciado “O Albergue 3” e fiquei sabendo que Roth não estaria envolvido criativamente e o filme iria direto para o vídeo, me espantei e já esperava o pior – vide a continuação de “Cabin Fever”.

Scott Spiegel, produtor dos outros e ainda por cima, figurinha carimbada no meio do horror, assume a direção da sequência e o roteirista Michael D. Weiss (!?) é quem escreve. Deu para perceber que Eli Roth está totalmente fora da sequência, não?

Na trama, jovens em despedida de solteiro vão para Las Vegas curtir e lá são pegos pelo “CLUBE DA CAÇA DE ELITE”. Uma espécie de “Se Beber Não Case” de horror. O filme até que não começa tão mal, a inversão dos países e a xenofobia dos espectadores é colocada à prova nesse inicio de filme que é o melhor momento do roteiro.

A partir daí falta força, garra e qualidade a todo. Scott Spiegel é incapaz de conseguir criar bons momentos de suspense e horror, muito menos comédia ou humor negro. O elenco é péssimo e as interpretações beiram o amadorismo em alguns momentos, principalmente nos momentos de tortura, que eram para ser o ponto alto do filme.

Vale dizer que a violência demora demais para começar e quando começa, frustra a todos com mortes não criativas, cenas off-screen e efeitos especiais e de maquiagem péssimos. Existe uma cena em CGI que é constrangedora, para se dizer o mínimo. Mais do que isso, a tentativa de juntar o mundo da jogatina de Las Vegas e o Clube da Caça de Elite funcionou mal, ficando a sensação de que cortaram muita coisa do texto original.

Nos outros filmes, a sensação de se estar fora do país, num lugar em que você é um número, estatisticamente falando, é uma forma de brincar com sensações de pânico com o espectador, aqui essa sensação é deixada um pouco de lado, tendo em vista que Las Vegas já fora explorada a exaustão pelo cinema e temos que dizer, Scott Spiegel não tem o necessário para explorar o espaço de Las Vegas como Roth teria, por exemplo.

Mal dirigido, mal escrito e com interpretações sofríveis, “O Albergue 3” é um exemplo do que não fazer em uma sequência de um clássico do horror, na dúvida, não mudem de direção, apostem no que deu certo, é redundante, mas menos frustrante.





Fright Night (Remake)

19 12 2011

“Remake é competente, mesmo com algumas mancadas…”.

Na era dos remakes hollywoodianos, o mais difícil hoje talvez seja encontrar um que seja de fato satisfatório e que valha a assistida. Eu particularmente odeio essa onda de remakes e isso apenas prova o declínio da indústria de entretenimento como a conhecemos. Daqui para frente muita coisa deve mudar e acredito eu, para melhor.

Eis que chegamos à refilmagem de “Fright Night”, ou como é popularmente conhecido no Brasil, “A Hora do Espanto”, clássico filme terrir do auge da era das vídeo-locadoras, um dos meus filmes mais queridos e um dos mais inspirados trabalhos de Tom Holland, um diretor esquecido por alguns, que além desse clássico, entregou o seminal “Child’s Play”, “Brinquedo Assassino”.

O remake, embora guarde semelhanças com o original, principalmente na premissa, difere bastante em alguns aspectos, funcionando mais como uma “reimaginação” do que um remake propriamente dito. A trama é basicamente a mesma, vampiro bonitão, dessa vez interpretado por Collin Farrel, muda-se para a casa ao lado do desconfiado Charlie Brewster, que desconfia que o dito cujo seja um vampiro.

A partir dai encontros e desencontros começam a acontecer, como no original, e Charlie acaba contando com a ajuda de Peter Vincent, uma espécie de Chris Angel, totalmente diferente da ideia do original, em que um veterano do cinema de horror, charlatão e irônico, na época brilhantemente interpretado por Roddy Mcdowall, decide ajudar o pobre Charley.

A grande sacada do diretor Craig Gillespie foi apostar mais no suspense do que no humor, potencializando a ação (com a ajuda de um 3D bem safado) e deixando o humor para alguns pequenos momentos, a maioria referência ao original. Os efeitos visuais estão ótimos, fotografia primorosa, trilha sonora bem precisa e Collin Farrel dando um show como vampiro Jerry.

O filme como uma diversão escapista funciona que é uma beleza, principalmente nessa era em que os vampiros estão tão afeminados, e vê-los como predadores assustadores é realmente ótimo, mostrando que os dentuços ainda podem sim serem assustadores, ao contrário do que prega o horrível “Crepúsculo”, muito bem desmoralizado numa piada curta, inteligente e discreta.

Para quem quer recordar de uma época que nossos vampiros vinham de fontes como “A Hora do Espanto”, “Garotos Perdidos” e por ai vai, essa é a pedida… Ah, vale dizer que nessa época lembro das frases do meu pai: “Vampiros bons eram Lugosi e Walken, o resto são moças…”. A cada geração, uma nova leva de Vampiros, alguns tem sorte, como eu e meu Pai, já outros… Bem, fiquem com a Sra. Myer e seus vampiros evangélicos e afeminados, fazer o quê, sinal dos tempos!

 

 





Red State

19 12 2011

“Ao sair de sua zona de conforto, Kevin Smith demonstra segurança como diretor, mas falha no roteiro.”

Kevin Smith sempre disse e demonstrou com seus filmes, ser um roteirista que virou diretor. Roteiro é sua maior qualidade, tanto que ele também desenvolve essa atividade nos quadrinhos, tendo um acerto muito grande (para variar com o “Demolidor”) e poucos erros. Mesmo em seu pior filme, “Mallrats”, o roteiro ainda salvava com belas e inspiradas sacadas, mas o domínio de imagens, não precisamente em atuações, mas em dar um dinamismo maior ao texto, nunca fora seu forte.

Quando anunciou seu primeiro filme de terror, muitos questionaram se o diretor teria a mão necessária para criar cenas tensas, dinâmicas e frenéticas, coisas que são necessárias para que se tenha um filme de horror pelo menos satisfatório. Muitos se esqueceram de questionar se o roteiro seria bom, isso porque Kevin Smith, nesse quesito tem total confiança de todos, mas infelizmente ele cometeu algumas falhas primárias, que se não prejudicam o filme, pelo menos atrapalham bastante a coesão dele, mesmo com o fantástico clímax, que é demolido com explicações desnecessárias.

“Red State” mostra um grupo de religiosos fundamentalistas e preconceituosos, liderados pelo insano pastor Abin, numa atuação incrível de Michael Parks, que em suas pregações, se posiciona radicalmente contra os homossexuais e sexo desenfreado. Um grupo de amigos, que queriam apenas um bacanal, acaba na mão desse grupo, o FIVE POINTS, que além de tudo, tem um arsenal de armas bem guardado. Quando a força policial local e Estadual descobre que lá coisas estranhas acontecem, eles não irão se entregar sem luta.

A ideia é boa, um ótimo plot, o personagem do Pastor é bem escrito e memorável, mas o desenvolvimento de alguns personagens pode ser raso e descartável, não fazem sequer sentido em existir, por exemplo, o Xerife local, que entra e sai de cena de forma constrangedora, sem ter nada a acrescentar a trama, a não ser um motivo banal que poderia ter sido mais bem articulado na estrutura do roteiro.

 

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