COMANDANTE, DE RORY CARROLL

14 12 2014

“Uma forma de entender o fenômeno Hugo Chavez, a Venezuela e a América Latina…”

Carismático, Chavez reprsentou o povo como poucos...Mas era péssimo gestor!

Carismático, Chavez representou o povo como poucos…Mas era péssimo gestor!

Após início de férias, muitos livros que estavam parados com marcadores de páginas posicionados no meio deles, demonstrando que faltavam algumas folhas para a conclusão, em um a pilha de compromissos de “leituras”, começam a ser eliminados um a um, e dentre eles, está uma obra que me apaixonou, “O Comandante” de Rory Carrol, que faz um panorama jornalístico sério e preciso sobre os anos de Hugo Chavez, El comandante, frente o governo venezuelano.

O Irlandês Rory Carroll, foi correspondente do The Guardian no país e deu uma aula de jornalismo ao procurar racionalizar o movimento “bolivariano” e ascensão, e porque não dizer: queda do líder que como político era um verdadeiro gênio, carismático e de rápidas respostas, mas como “ADMINISTRADOR” público, mostrou-se desorganizado, ruim e mais preocupado com caprichos e ego pessoal do que dar um padrão de gestão ao país.

A obra lançada no Brasil, tem belo acabamento e soberba tradução!

A obra lançada no Brasil, tem belo acabamento e soberba tradução!

A obra acerta em manter um tom imparcial, o que é surpreendente, tendo em vista que Carroll teve uma situação estressante e nada animadora em sua participação no programa “Alô Presidente”, ferramenta televisa da qual Chavez fazia, e muito bem, uso e caso o jornalista, quisesse uma “vendeta”, o momento seria esse, o de sua obra, mas ao contrário do líder do bolivarianismo na América Latina do século 21, Carroll está preocupado em fazer um registro histórico e não pessoal, uma ferramenta ímpar para consulta histórica e tem grande sucesso na empreitada.

Em um primeiro momento, acompanhamos todo o clamor e empolgação do mundo com a eleição de Chavez, a volta de um comandante que tentou, anos antes, um golpe fracassado, mas que aproveitara seus 2 minutos de TV para posicionar-se como futuro político, e mesmo tendo passado anos preso, fora conduzido ao poder pela união das forças de pequenos partidos de esquerda. É simplesmente emocionante.

Vemos um político preocupado em governar para os pobres, criando conselhos “comunitários”, programas sociais e subsídios que visavam uma melhoria na dignidade dos mais humildes, e isso Hugo Chavez fez com sucesso. Vemos um homem carismático que como poucos políticos, tinha o poder de conversar com o povo e entender suas ânsias, justamente por ter sido povo e também, claro, por uma qualidade quase única em se expressar.

Jornalista encara a fera: no programa do Presidente, preparo não impediu de Rory Carroll ser esculachado!

Jornalista encara a fera: no programa do Presidente, preparo não impediu de Rory Carroll ser esculachado!

Mas em meio a tudo isso, vimos um político que se abdicou em otimizar o sistema burocrático da máquina estatal, usando-a para simplesmente se manter no poder, em prol de uma revolução que no papel era linda, mas na prática um verdadeiro desastre. Um aparelhamento do Estado de forma desorganizada e desordenada, dificultava o avanço de projetos que exigiam um pontinho a mais de complexidade, tendo em vista, que esse aparelhamento visava simplesmente reproduzir as ideias amalucadas de Chavez, que em um momento tinha um projeto e no outro já o abandonava e corria para outro, dando quase nada de liberdade de trabalho a seus ministros e simplesmente onerando os cofres públicos, abastecidos pelos petrodólares.

O petróleo, que em outros tempos fora importante participe no orçamento nacional, estimava-se 80%, no meio do Governo, já estava em 96%, e operando no vermelho, devido aos poucos investimentos tecnológicos na área e a reestatização de muitos setores, que acabaram, anos depois, sucateados e exemplos claros e notórios de um socialismo desorganizado, aliás, desorganização foi uma constante.

Conexão com o povo mais humilde e carisma, fizeram de Chavez um líder imbatível nas urnas!

Conexão com o povo mais humilde e carisma, fizeram de Chavez um líder imbatível nas urnas!

Em meio a todo esse cenário, nos deparamos com temas caros a América Latina: corrupção, inflação, violência, manipulação de mídia e economia indo a bancarrota e um Governo, que se perdeu no caminho. O livro mostra a degradação da esperança, de um projeto, Chavez em seus dois primeiros mandatos mudou a vida dos pobres, criando uma base eleitoral forte que possibilitou o mesmo a descumprir promessas, como o de ter apenas um mandato, e mais: mudar a constituição para se manter no poder ad-infinitum, se não fosse o imponderável da vida, que lhe deu um câncer que colocou um ponto final em sua história.

Simón Bolívar, revolucionario foi alçado ao patamar de "Santo" por Hugo Chavez.

Simón Bolívar, revolucionario foi alçado ao patamar de “Santo” por Hugo Chavez.

Após a morte de Chavez, presenciamos hoje na América Latina, a decadência do Chavismo, que entre outras coisas, minou o estado, a ponto de o país estar à beira da guerra civil. O homem que inspirou os líderes da América Latina, criando um movimento, hoje se tornou uma paródia do próprio projeto e líderes no Brasil, Uruguai, Bolivia, Paraguai e Equador, que tinham sido “influenciados” pelo mesmo, seguiram um outro caminho, mais democrático e entre erros e acertos, parecem terem se saído melhor que o mestre.

O que acredito, é que, talvez se Chavez tivesse ficado no primeiro ou segundo mandato, teríamos uma visão diferente sobre seus anos à frente do País e uma história melhor para a Venezuela, que mesmo com uma reserva milionária de petróleo, é o exemplo claro do que a má gestão pública faz a longo prazo.

Uma grande leitura e um fim deprimente, para o sucessor de Simón Bolivar.

É pau na Lomba!

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