BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE

19 01 2013

“Mesmo inferior aos outros dois, filme mantém pegada e chega ao fim de uma trilogia com dignidade e homenagem aos fãs!”

TIM BURTON

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Estive em 1989 na primeira sessão de cinema de minha vida, com um saco de pipoca em mãos e acompanhado de meu amado irmão mais velho, Itamiro, e de nosso amigo vizinho, Itamar. Fomos todos assistir BATMAN, dirigido por Tim Burton e com uma atuação espetacular de Jack Nicholson como o Coringa. Muitos torceram o nariz para o baixinho Michael Keaton como Batman, mas a sua época, o filme funcionou bem e passou anos incólume como a maior transposição do universo do homem morcego para as telonas, superior ao legal “BATMAN RETURNS” e infinitamente melhor que os infames “BATMAN FOREVER” e “BATMAN & ROBIN”, que mesmo ruins, tinham lá um grau de divertimento descompromissado a la ADAM WEST.

Batman Returns

BATMAN BEGINS – O INICIO DA ERA NOLAN.

Já em 2005, 16 anos depois de minha primeira experiência e de ter a visão de Burton como a mais correta até então no cinema, volto ao cinema, emocionado e de forma até um tanto quanto romântica, para acompanhar a nova epopeia do HOMEM MORCEGO nas telonas. Passaram-se os anos, muitos gibis depois, já tinha uma vasta gama de conhecimento sobre o universo do personagem, ou seja, a experiência seria deveras diferente.

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E eis que vejo um filme espetacular, roteiro maravilhoso e referências ao fantástico quadrinho BATMAN ANO 1, de Frank Miller, que por sinal foi a base de grande parte do filme. Mas claro, o novato Cristopher Nolan tinha sua visão do personagem e preencheu com perfeição os aspectos fílmicos que uma adaptação de HQ necessita. BATMAN de Tim Burton já estava, aqui, superado e ficado há milhões de quilômetros da qualidade desse filme como cinema. Uma virada na história, que até mesmo o mais fanático fã do personagem não teve a sensibilidade de sacar, já mostrava que Nolan entendia bem o universo de BATMAN e mais do que isso: entendia de grande cinema; sabe aquele com grandes roteiros, interpretações e por ai vai? Bem, isso fazia falta até então!

Christian Bale, ator que eu já gostava muito desde que interpretou outro personagem que amo – Patrick Bateman, o Psicopata Americano, trouxe uma profundidade a Bruce Wayne/BATMAN, que deve ter causado um bocado de vergonha a interpretação robótica, mas competente, de Michael Keaton, Val Kilmer e George Clooney então nem se fala.

BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS – O MELHOR FILME BASEADO NUMA HQ DE TODA A HISTÓRIA DO CINEMA.

Mas nada nos preparava para algo tão intenso, arrebatador e genial quanto BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS, que de longe é a melhor adaptação de uma história em quadrinhos para a sétima arte. Fotografia primorosa, trilha sonora fantástica, direção competente, clima épico e interpretações arrebatadoras.

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O que dizer então de Heath Ledger e sua visão do CORINGA, o vilão dos vilões? Intenso, inspirado e possuído por uma força dramática descomunal, a interpretação vencedora do Oscar póstumo (justamente, diga-se de passagem), é uma das maiores da história do cinema e choca, até hoje, fãs que viram o filme pelo menos mais de dez vezes (meu caso).

BATMAN O CAVALEIRO DAS TREVAS amplia a proposta de Begins e nos entrega uma Gotham que sentimos e respiramos; quando CORINGA ameaça a cidade, todos estão ao mesmo tempo embriagados pelo carisma do personagem e ameaçados também. Só resta o Batman para nos defender.

Cenas de ação espetaculares (assalto ao banco no inicio, a cena do prédio, perseguição do Coringa e outro montante), dramas bem desenvolvidos e um trabalho calculado milimetricamente para que possamos cada um, a sua maneira, fazer uma análise pessoal da psicologia desses personagens.

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A pergunta era: Se a série de NOLAN, desde o inicio fora pensada como uma trilogia, como superá-la?

Talvez, se Heath Ledger não tivesse morrido tragicamente, teríamos uma obra que jamais sairia de nossas mentes, mas com o falecimento de Ledger, a missão de CHRISTOPHER NOLAN era um tanto quanto ingrata.

BATMAN O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE – COM O QUE TINHA EM MÃOS, NOLAN FEZ O MELHOR!

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Bem, após a perda de Heath Ledger e sua visão caótica do Coringa, Nolan, que até então planejara minuciosamente a trilogia, viu que não teria jeito de trazer o personagem de volta sem tirar o foco da dramaturgia, pois comparações seriam inevitáveis, então qual foi a alternativa? Centrar-se em outros vilões de peso nas HQ’S: Bane e a sensual Mulher Gato, que não é, necessariamente uma vilã.

O desfecho da trilogia estava sendo aguardado pelos fãs com muita ansiedade, inclusive por mim – qual seria a leitura de um personagem complexo como Bane no universo de Nolan? Como se sairia a Mulher Gato? O filme conseguiria superar o magistral e audacioso CAVALEIRO DAS TREVAS? São perguntas que todo fã matutava esperando o dia da estreia para então, só assim, obter a resposta.

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Primeiramente, desde o primeiro quadro, até o último, BATMAN O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE é gigante, épico e cheio de “panca”. Não espere o minimalismo dramatúrgico e até estético de BEGINS e nem a narrativa caótica e fragmentada de BATMAN O CAVALEIRO DAS TREVAS. Aqui temos um filme bem pensado, linear, e idealizado para que seja o final de uma trilogia digna das grandes obras do cinema, é o LAWRENCE DA ARÁBIA ou E O VENTO LEVOU dos filmes de Super Heróis, é pretensioso e extremamente artístico, mesmo sendo um produto de entretenimento, as cenas em IMAX só potencializam isso.

É um filme para ser visto, revisto e discutido durante anos, inclusive deve ser maravilhoso assisti-lo em sequência, junto com os outros dois que o precederam. Aqui o roteiro de Nolan dá a dimensão da trilogia, que usou e abusou de textos originários dos quadrinhos como: “BATMAN ANO UM”, “BATMAN O LONGO DIA DAS BRUXAS”, “BATMAN A PIADA MORTAL”, “BATMAN SAGA TERRA DE NINGUÉM”, “BATMAN O CAVALEIRO DAS TREVAS”, “BATMAN SAGA A QUEDA DO MORCEGO”, “BATMAN O FILHO DO DEMÔNIO” e tantos outros, que foram a base de roteiros sólidos e totalmente originais, que procurou, dentro do possível, agradar a gregos e troianos.

Essa junção de temas abordados nos quadrinhos, mesclado com uma nova e particular visão do diretor, deu semelhança e relativa fidelidade aos quadrinhos e trouxe uma nova roupagem ao universo fílmico do Homem Morcego, sendo uma visão única e autônoma.

O último filme da trilogia já começa grande, com a primeira operação de Bane, personagem que é um misto de força física com precisão de um estrategista de primeira. A partir daí já sabemos que Batman encontra fisicamente, seu maior oponente dentro da trilogia.

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Batman está afastado das ruas há 08 anos, após o incidente com Harvey Dent (fim do segundo filme), que originou uma lei que praticamente pacificou as ruas de Gotham, Batman é um personagem obsoleto para os novos tempos, onde a política tomou o seu lugar para o bem e para o mal de Gotham.

Como na saga “A QUEDA DO MORCEGO”, quando Bane surge nos subterrâneos de Gotham e começa a colocar seu plano em prática, um Bruce Wayne já combalido pelos anos de luta, se vê obrigado a voltar à ativa, e acreditem, falar mais do que isso sobre o filme só iria estragar o prazer de assisti-lo e se surpreender frame-a-frame.

Temos a anarquia instaurada em Gotham (bem provável que se Heath Ledger estivesse vivo, o Coringa possivelmente estaria com Bane, por trás de tudo), e a cidade de repente, se vê dependente de um Batman que já não é mais o mesmo. O clima do filme é como um retorno de uma banda veterana de Rock, num dado momento quando Batman volta de seu exilio, vemos um Policial veterano comentando com um novato: “Prepare-se para um show inesquecível!”, chega a arrepiar.

Trilha sonora precisa, cenas antológicas (a cena de encontro cara-a-cara Bane X Batman é soberba, tanto na primeira quanto na segunda luta), reviravoltas que senão originais, ainda assim surpreendem e fotografia esplêndida em todo o poderio imagético do formato IMAX, dá ao filme uma dimensão soberba, épica e arrebatadora.

Mas o filme carece de um vilão da potência de um CORINGA, o filme anterior nos deixou mal acostumados, e mesmo Bane sendo um ótimo vilão, numa construção perfeita do excelente Tom Hardy, que mesmo limitado pela máscara fez um trabalho espetacular com expressões corporais e vozes; e a presença de uma Mulher Gato contida, numa atuação muito boa de Anne Hathaway, não são o suficiente para consolar os fãs mais fervorosos.

Na ânsia de querer funcionar, o filme liga alguns fatos, trás de volta alguns personagens, ameaça, de forma forçada, diga-se de passagem, uma reviravolta lá pro final, que deve agradar aos jovens fãs de Batman, mas causar algum desconforto nos veteranos e se assume como filme de Super Herói.

Aliás, essa é uma das principais qualidades desse filme, vemos aqui um Batman menos pé no chão e mais lúdico. Temos os vilões que explicam seus planos nos mínimos detalhes, talvez uma homenagem ao Batman de Adam West e um final surpreendente, mas se você assistir com atenção os outros filmes e procurar uma coerência narrativa na trama e for um pouquinho experiente nos quadrinhos, logo deve ganhar qual o “ROSEBUD” do filme.

Por fim, “BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE” não deve ser analisado autonomamente como os outros dois filmes, que podiam ser facilmente digeridos sozinhos, sem a necessidade de se conhecer o outro, no fim da trilogia, a coerência com os outros dois filmes é a força motriz, sem isso, temos apenas um filme de ação confuso e mediano, coisa que ele, de fato, não foi pensado para ser.

Vou me arriscar, mesmo tendo visto o filme apenas uma vez, a dizer que ele é um pouquinho inferior ao Begins e bem inferior ao Cavaleiro das Trevas, mas acreditem, ainda assim é superior a grandes filmes de Super Heróis, como: Superman, Capitão América, Homem de Ferro e semelhantes e o mais importante, melhor que BATMAN, BATMAN RETURNS, BATMAN FOREVER E BATMAN & ROBIN, propostas diferentes do universo perturbador do personagem.

BATMAN O CAVALEIRO DAS TREVAS, filme que eternizou Heath Ledger, é possivelmente o melhor filme de super-heróis da história do cinema e dificilmente terá seu posto tomado, mas lembre-se, faz parte de toda uma trilogia pensada milimetricamente, que teve que mudar o percurso num dado momento, mas mesmo assim manteve a dignidade e coerência, é isso que dá força a BATMAN O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE.

NOTA 8,5 de 10.

Batman–O Cavaleiro das Trevas Ressurge
Duração: 164 minutos
Estúdio: Warner Bros.
Direção: Christopher Nolan
História: Christopher Nolan e David Goyer
Roteiro: Christopher Nolan e Jonathan Nolan
Elenco: Christian Bale, Michael Cane, Gary Oldman, Morgan Freeman, Tom Hardy, Joseph Gordon-Levitt, Anne Hathaway, Marion Cotillard, Liam Neeson, Cillian Murphy

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