THE MISFITS – The Devil’s Rain

3 06 2012

“Banda volta de hiato com um álbum consistente, de personalidade e que leva o Misfits e o seu legado, pela terceira vez, em uma nova direção!”

Capa do novo disco é uma obra de arte!

O Misfits pode ser dividido a partir desse álbum em três principais fases, a fase Danzing, a fase Graves (a melhor, de longe) e agora a nova fase, que seria mais fácil chamar de fase Jerry Only e Dez, porque a visão do guitarrista Dez Cadena para a banda influencia bastante nessa nova direção.

Enfim nova formação se estabiliza: Eric Arce, Jerry Only e Dez!

A banda agora é um trio de punk rock muito forte e coeso, Jerry Only é o manda chuva e à frente dos vocais, empunha o baixo com uma ferocidade e personalidade única. Dez Cadena, ex-Black Fag trouxe uma energia nova para o Misfits e sim, ele é possivelmente um dos melhores guitarristas que passou pela banda, Eric “Chupacabra” Arce, arrebenta nas baquetas da bateria, dando uma nova e incrível qualidade técnica à bateria (até com certa cadência), ou seja, temos um novo e intenso grupo para tocar os hits que são o legado dessa banda clássica e importante.

“Devil’s Rain” abre o disco de forma cadenciada e mostrando uma banda madura que quer experimentar outras linguagens rítmicas, deixando um pouco a “tosquice” caótica que sempre os caracterizou. Já na segunda e enérgica música do disco, “Vivid Red”, temos um hit típico, com uma pegada firme, rápida e um refrão grudento e objetivo. São um minuto e cinquenta e cinco segundos da clássica pegada punk rock, os riffs de Cadena são elegantes e lembram muito alguns riffs usados em bandas de metal pesado (um caminho a se seguir?).

Michale Graves foi o vocalista mais carismático da banda, mesmo com algumas resistências!

Se o estilão Heavy Metal era emulado em “Vivid Red”, em “Land of The Dead”, primeiro single do álbum, fica claro e alcança um grande momento. Ainda é Misfits, mas com uma pegada certa para a voz de Jerry Only, que parece melhor que de costume, ou seja, quando canta as músicas criadas para as vozes de Danzing e Graves (ai é covardia não?). Até fica um parêntese aqui, que quando digo que ele canta as músicas criadas para os dois vocalistas anteriores, ele não tenta imitá-los, mas sim as adapta à sua tonalidade e qualidade vocal, dando outra interpretação – vale a pena a conferida.

“The Black Hole” mantém o espírito Misfits vivo, para que não nos esqueçamos das origens da banda. “Twilight of the Dead” é outro som típico dos caras, burocrática até, mas uma música que mostra a coesão formada pelo trio Only-Cadena-Arce, que pelo tempo juntos, estão bem entrosados.

“Curse of The Mummy Hand’s”, surge o primeiro clássico hit da formação nova, sem abrir mão de referenciar o passado da banda, mas mostrando uma nova e inteligente direção, a banda trás novos e cativantes elementos. Sobressaem a guitarra firme e certeira de Cadena e a intensidade de Arce na bateria, Only mostra sua personalidade vocal nessa música, que tem um refrão grudento, cheio de estilo e cativante.

Danzing e Doyle respectivamente, muitos ainda sentem falta dos músicos!

O solo de guitarra é antológico desde já e trás, como dito antes, uma amostra da nova direção do Misfits daqui para frente.

“Cold in Hell” é um som na pegada Misfits de ser e sem inventar a roda, porque afinal, time que está ganhando não se mexe MESMO. O tempo com Marky Ramone e Daniel Rey, fez a banda prestar algumas homenagens veladas ao estilo Ramones de se fazer punk rock, e a prova disso é a música “Monkey’s Paw”, música fantástica e que nos remete (principalmente quem está acima dos trinta) a uma época saudosa.

“Unexplained” mantém o ritmo do álbum, pois é coesa, forte e inspirada. “Dark Shadows” é o presente de Only ao guitarrista Cadena, que manda ver nos vocais dessa música. Grande música do disco, claro, dentro daquela linha de não se mexer em time que está ganhando. Tem um refrão memorável.

Jerry Only na Virada Cultural 2011: “Show foi lavagem de alma. Para mostrar que o Misfits ainda tem fôlego!”

“Father” sobe o tom do disco, é uma música inspirada e outra grande canção do álbum. Mais uma vez fica evidente a sintonia da atual formação que, sabiamente, diga-se de passagem, prefere formatar um novo estilo dentro da filosofia Misfits de ser do que copiar o passado, sem correr o risco de serem covers de si mesmos (Chupa Axl). Cadena e principalmente Arce, o Chupacabra baterista, arrebentam nesse som, e a voz de Only? Inspirada e acompanhada pelos riffs de Cadena, só valoriza a música.

“Jack The Ripper”, mais um clássico desse álbum, com um arranjo mais bem construído e tecnicamente bem executado, a homenagem ao estripador rende grandes momentos, a se destacar: a voz de Only, é incrível a evolução dele nessa área e também os solos de guitarras, bem heavy metal de Dez Cadena, que brilha novamente nesse som.

“Where To They Go” é mais um som ao estilo Ramones que ressurge no disco, essa, me parece meio deslocada, mas de fato é um musicão, chega a dar saudades dos Ramones.

“Sleepwalkin” nos remete aos clássicos rocks, mesmo não lembrando muito o estilo Misfits, é outro som em que bateria e guitarra seguram a onda. Jerry Only manda bem novamente e a essa altura, já estamos acostumados ao seu estilo.

Para fechar o disco temos dois sons que são verdadeiros petardos, daqueles que tiram a galera do chão nos shows. “Ghost of Frankenstein” é uma música que tem tudo para funcionar nos shows, carismática e com um bom tema na letra.

“Death Ray” é um punk sujo e pegado, para fechar o disco com estilo e abrir rodas em shows, a música tem mais de 4 minutos, surpreendendo muito os fãs acostumados com músicas curtas e objetivas da banda.

No final das contas, “The Devil’s Rain” é um disco F-E-N-O-M-E-N-A-L dos Misfits, calando a boca dos críticos, dos fãs xiitas de Danzing ou Graves, que claro, ambos têm méritos tanto na história da banda, quanto na construção desse álbum que não nega suas origens, mas não foge da responsabilidade de uma evolução, para sair daquele mais do mesmo com arroz e feijão costumeiro das bandas veteranas.

Mais uma vez o Misfits ressurge, mais uma vez com um álbum clássico, Jerry Only é o cara por trás do legado, e o tempo fez o favor de provar isso. Mas num cá entre nós, que Michale Graves faz falta, isso faz, mas…

NOTA 100 de 10 (Isso mesmo!).


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