SUÍTES IMPERIAIS

19 12 2011

“Mais uma viagem ao insano e degradante universo de Bret Easton Ellis!”

O novo trabalho do escritor norte americano Bret Easton Ellis talvez seja realmente seu livro menos inspirado, mas numa galeria em que temos o seminal “Abaixo de Zero”, o provocante “Regras da Atração”, o livro de contos “Os Informantes”, o polêmico e transgressor “Psicopata Americano”, o genial e experimental “Glamorama” e o hilário e criativo “Lunar Park”, esse menos inspirado, ainda significa uma obra pujante e envolvente, tanto na forma, quanto conteúdo. Bret Easton Ellis ainda é um escritor para poucos, infelizmente…

A ironia de tudo isso é que nesse mercado cercado por best-sellers e continuações desnecessárias, que ele tanto criticou por exemplo em “Glamorama”, a continuação de seu Debut, “Abaixo de Zero”, é mola propulsora que engrena esse novo petardo literário. Mas engana-se quem pensa que vai encontrar mais do mesmo nessa obra, muito pelo contrário, Bret nos leva a uma nova e intrigante direção, desafiando o senso de limite do leitor ao assumir, que a trama ali descrita é superficial e inexistente, pra não dizer surreal.

E obviamente os personagens poderiam ser reais ou não, afinal, quem se importa com eles? Esse desafio ao leitor dá animo e carga dramática a “SUÍTES IMPERIAIS”, uma epopeia bizarra de um roteirista de Hollywood que se vê de volta ao mesmo ambiente que crescera, só que agora bem sucedido e ainda com uma série de dilemas, além, claro de ter adquirido algumas novas falhas morais.

O estilo “clipesco” de “Abaixo de Zero” volta nessa sequência e a mesma sensação de vazio e de que nada interessante está acontecendo também. Obviamente é tudo proposital e ironicamente coreografado na cabeça do escritor que admite tê-lo escrito enquanto degustava vinhos. Outro ponto a se destacar é a falta de humor nesse trabalho; em suas últimas obras, Bret oferecia um humor negro, irônico e muitas vezes abusava de referências à cultura pop, tudo isso é meio que dosado nessa obra e pode causar estranheza em fãs de Bret.

Mas quando avançamos página a página, vemos personagens entrar e sair de cena num ritmo acelerado e acompanhamos os coadjuvantes e a tentativa de enviesar uma trama de mistério no meio, diálogos rápidos e uma auto paródia permeando a prosa, vemos que a maior qualidade de Bret Easton Ellis é não se levar tão a sério, mesmo com o talento que tem. Com isso temos a imprevisibilidade e, essa surpresa que surge do imprevisível, é que o torna um escritor tão instigante e desafiador a cada trabalho.

Bret Easton Ellis, um gênio, que possivelmente só será mais apreciado, após sua morte, pois nesse momento, é quando costumam fazer um balanço real do trabalho de um artista. Uma pena, pois quem o aprecia nesse momento, está anos luz a frente de seu tempo.

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