Marvel Terror Nº1

19 12 2010

“Não é um caça-níquel, é uma grande ode ao verdadeiro horror!”

Confesso que quando soube da publicação das histórias de horror produzidas pela Marvel no Brasil, achei que seria um mero e fraco caça-níquel, e o preconceito tomou conta de mim, a ponto de que quando peguei o exemplar na mão, me concentrei em todos os aspectos, para não deixar passar nenhuma cagada da casa das ideias e descer a lenha sem piedade no meu blog – realmente não confiava no título.

A verdade é que minha língua queimou mais que o fogo do inferno onde reside Mefisto e fiquei mais desconfortável que o Tocha Humana numa praia ao começar a ler esse fantástico exemplar, que se existe uma crítica negativa é a capa lamentavelmente genérica escolhida pela editora Panini.

O primeiro arco do encadernado é Dead Of Night-Werewolf by Night com roteiro de Duane Swierczynski e arte de Mico Suayan. A trama apresenta Jack Russel, um lobisomem que tenta de toda forma conter a fera que reside dentro dele e é cheia de personalidade. Para isso, passa os dias de lua cheia numa câmara de segurança máxima criada por ele, deixando sua esposa grávida Cassie, que não sabe de seu segredo, sozinha em casa.

O roteiro de Swierczynski peca em alguns momentos por abusar de uma estrutura de roteiro clássica e redundante, com muitas reflexões internas dos personagens e um didatismo exagerado em busca de expor melhor a batalha interna de Jack. Esse recurso poderia ter sido facilmente deixado de lado, tendo em vista que a arte de Mico é competentíssima em todos os aspectos e logo vemos que é um artista que como poucos sabe se expressar objetivamente através de imagens.

Mico dá um dinamismo para as cenas, criando antológicas cenas de ação e horror gore para o deleite de nós fãs de “podreiras”. Logo na apresentação dos personagens e da trama, ainda no capitulo 01, ele nos brinda com um Lobisomem realmente assustador e muito, muito sangue.

Já Swierczynski, tirando o didatismo desnecessário, sabe como contar uma história de horror e suspense, e mesmo que as reviravoltas não sejam tão absurdas, a forma como ele conduz os acontecimentos, nos surpreende página a página e o sofrimento de Russel perante a sua maldição é sentida por todos nós.

Numa dessas viradas, ficamos sabendo mais sobre o passado de Russel e aí vemos a influência do selo MAX no título. A origem do Lobisomem tem semelhanças quase “Control C e Control V” com outro figurão do universo MARVEL MAX, pode-se dizer que os envolvidos são farinhas do mesmo saco, mas ao analisarmos friamente, sabemos que cheira mais a uma preguiça básica.

Mas deixo claro que o roteiro é tão bem estruturado e escrito, que nada, absolutamente nada, atrapalha essa boa história, que cada página lida fica mais sangrenta, tensa e assustadora. A cena no laboratório em que vemos outros espécimes de monstros é absolutamente arrepiante e asquerosa (outro ponto para Mico).

O final é brilhante e uma aula de suspense em quadrinhos, onde quadro a quadro o suspense se constrói e termina, para variar, de forma sangrenta e redentora. E como uma boa e clássica história de horror, temos um gancho para uma continuação.

Essa trama, para os aficionados pela saga Crepúsculo, é uma forma de mostrar o quão mortal e assustador um Lobisomem pode ser, colocando-o novamente em seu devido lugar. Esqueça as “feminices” do personagem da saga de Bella e Edward, aqui até a Licantropa que surge na trama é mais macho que o Lobisomem da saga adolescente.

O ritmo não baixa nem um segundo na segunda história do encadernado, saído de Legion Of Monster-Werewolf By Night 01, produzida em 2007 e escrita por Mike Carey e com desenhos de Greg Land, a trama é a que mais se aproxima do universo Marvel, quase nada de sangue ou horror, centra-se basicamente no clima e na ação frenética.

As apresentações dos personagens são as mais sintetizadas possíveis, num bar vemos uma garota, de uma pequena cidade do interior detentora da maldição dos Lobisomens, que herdou de família. Vemos um forasteiro que chega ao bar e em seguida uma gangue de caçadores de Lobisomens, os mesmos que mataram sua mãe e irmã.

A trama, que lembra um faroeste moderno é bem simplória e sem muitos arroubos, mas o que prende a atenção mesmo é a ação desenfreada e um clima meio “tarantinesco” de se levar a trama. Vale uma leitura rápida, mas não chega a ser algo memorável.

O roteiro está redondinho e contido e a arte é aquela arte “Marvel/Mensal” que estamos cansados de ver.

Seguimos então com a outra pequena história, também saída de Legion Of Monster 01 de 2007. Trata-se do revival de um personagem clássico da Marvel, Man-Thing, que ganhou inclusive anos atrás, uma adaptação para as telonas pela pavorosa Nu-Image filmes. E é de longe a pior coisa de todo esse encadernado. Escrito e desenhado pelo ridículo Ted McKeever, a trama mostra o cadáver de Simon Garth vagando por hospitais, vielas e bairros, inclusive com uma insinuação de necrofilia no mínimo tosca.

O último conto dessa antologia Marvel de horror é muito interessante, escrita e desenhada por Skottie Young, que mostra mais uma visão do monstro de Frankenstein, ou seja, uma nova leitura do universo idealizado por Mary Shelley. Também saído de Legion of Monster 01 de 2007, é infinitamente superior às duas histórias anteriores.

É um horror clássico e gótico, que lembra as grandes histórias da produtora inglesa Hammer. A arte e o conceito do monstro e dos personagens estão bem delineados e os requintes em se narrar a estória, inclusive com momentos poéticos e intimistas, reforçam esse grande trabalho de Young.

No geral é isso, um encadernado de 148 páginas de puro horror da Marvel, que poderia ser um reles e chato caça-níquel, configura-se numa adorável e prazerosa leitura, que tem uma quebra de ritmo no meio, mas que consegue terminar muito bem. Fica uma dica para o próximo número: um mix com maior qualidade, ou que esteja pelo menos num bom nível, pode deixar a edição mais orgânica e com isso teremos uma leitura muito mais agradável e com menos altos e baixos.

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2 responses

13 02 2011
Lucas Pimenta

Dá uma olhadinha nessa postagem:
http://quadro-a-quadro.blog.br/?p=2435

Abraços

13 02 2011
Lucas Pimenta

Dá uma olhadinha nessa postagem que também trata deste lançamento da panini:

http://quadro-a-quadro.blog.br/?p=2435

Abraços

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