DYLAN DOG Nº19

31 08 2010

Editora: MYTHOS

Lançamento: Maio de 2004

Roteiro: Sclavi

Arte: Freghieri

Publicação na Itália: Dylan Dog Nº40, Janeiro de 1990.

História: Aconteceu Amanhã

Sinopse:

Dylan Dog encontra acidentalmente um antigo amigo, Fat, editor de jornal e para quem o detetive do pesadelo passava notícias quentinhas quando ainda trabalhava na Scotland Yard. Num passeio bizarro pela gráfica ele acaba ganhando do amigo, o jornal do dia seguinte. Em meio a resultados de apostas de corridas e notícias que ainda irão acontecer, temos a mais bizarra: Dylan morrerá num acidente de avião.

“Um épico minimalista, escrito por maestria por Sclavi, o criador do detetive do pesadelo!”

Tiziano Sclavi é sem sombras de dúvidas, além do criador do personagem, o melhor roteirista para as histórias de Dylan Dog, afinal, as melhores saíram da sua fértil e bizarra imaginação. Poucos autores sejam de HQ’s, literatura, cinema ou séries, têm o dom de mesclar clichês, referências pop’s, horror, violência, poesia e a mais alta literatura, em um produto que se destina basicamente ao entretenimento.

Hollywood, que está adaptando o personagem para o cinema, fatalmente falhará, pois a complexidade do personagem é inviável em um produto de entretenimento puro, talvez por isso, a versão mais fiel que teremos para a telinha do universo idealizado por Sclavi, ainda seja o seminal terrir “Della Morte, Della Amore” baseado em livro de sua autoria e ainda roteirizado pelo mesmo.

Nessa edição de Dylan Dog, acompanhamos o detetive do pesadelo em uma série de acasos, do encontro fracassado com Judy ao encontro com o amigo Fat, e a posse de um jornal que data sua morte e o pior: em um acidente de avião – quem conhece as tramas de Dylan Dog, sabe que o nosso detetive do pesadelo odeia aviões. As referências passam pelo cinema de René Clair, mais especificamente o filme “ACONTECEU… AMANHÔ e esbarram nas linhas narrativas de várias pequenas estórias que convergem em um final apoteótico, que vemos no cinema moderno desde os anos 70.

O clima é de total melancolia, o personagem Fat, misterioso e quem dita o clima de toda a história, é construído sem transmitir um suspense, mas existe um fator que nos faz não querer acreditar no que está acontecendo, mesmo sabendo que é isso mesmo que imaginamos, infelizmente…Essa empatia com o personagem é algo que só um grande autor é capaz de fazer, pois em pouco tempo, Sclavi constrói o passado, o presente e o futuro desse personagem, a ponto de nos preocuparmos com ele.

Mesmo sem ser a melhor história de Dylan, essa é uma grande mostra da qualidade desse universo único. Aqui temos pequenas histórias ligadas ao acaso que irão convergir, como dito antes, num final gigantesco. Temos um piloto de caça que está prestes a ter um contato com UFO’s; um simplório vendedor que é confundido com um estuprador e vê sua vida se transformar num inferno; temos um estuprador que pode escapar imune; o erro técnico que nos mostra que a sorte é imprevisível; há ainda o canalha que derrubou um companheiro no serviço por pura inveja e a natureza por si só irá reparar os erros; para finalizar a lista temos Dylan tentando entender sua possível morte, já que sabe a causa e a data dela – enquanto tudo isso acontece, as esperanças vão se esvaindo num mar de coincidências

Sclavi constrói a trama aos poucos e amparado pela bela arte de Freghiere, consegue criar um clima onírico. Sabemos a todo instante que algo de ruim acontecerá e Dylan não pode mudar isso, pois é o que o destino quer, e no jogo do destino ele é um mero espectador; essa sensação de impotência perante o acaso é o que mais assusta na trama, até mais do que a violência e os monstros presentes nela.

Por fim, temos um grand-finale blockbuster e uma explicação básica dos acontecimentos, além de um belíssimo diálogo final, no qual as emoções afloram e vemos que o destino, se existe realmente, é implacável e não nos dá escolha alguma. Obra de gênio.


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