“Ao sair de sua zona de conforto, Kevin Smith demonstra segurança como diretor, mas falha no roteiro.”
Kevin Smith sempre disse e demonstrou com seus filmes, ser um roteirista que virou diretor. Roteiro é sua maior qualidade, tanto que ele também desenvolve essa atividade nos quadrinhos, tendo um acerto muito grande (para variar com o “Demolidor”) e poucos erros. Mesmo em seu pior filme, “Mallrats”, o roteiro ainda salvava com belas e inspiradas sacadas, mas o domínio de imagens, não precisamente em atuações, mas em dar um dinamismo maior ao texto, nunca fora seu forte.
Quando anunciou seu primeiro filme de terror, muitos questionaram se o diretor teria a mão necessária para criar cenas tensas, dinâmicas e frenéticas, coisas que são necessárias para que se tenha um filme de horror pelo menos satisfatório. Muitos se esqueceram de questionar se o roteiro seria bom, isso porque Kevin Smith, nesse quesito tem total confiança de todos, mas infelizmente ele cometeu algumas falhas primárias, que se não prejudicam o filme, pelo menos atrapalham bastante a coesão dele, mesmo com o fantástico clímax, que é demolido com explicações desnecessárias.
“Red State” mostra um grupo de religiosos fundamentalistas e preconceituosos, liderados pelo insano pastor Abin, numa atuação incrível de Michael Parks, que em suas pregações, se posiciona radicalmente contra os homossexuais e sexo desenfreado. Um grupo de amigos, que queriam apenas um bacanal, acaba na mão desse grupo, o FIVE POINTS, que além de tudo, tem um arsenal de armas bem guardado. Quando a força policial local e Estadual descobre que lá coisas estranhas acontecem, eles não irão se entregar sem luta.
A ideia é boa, um ótimo plot, o personagem do Pastor é bem escrito e memorável, mas o desenvolvimento de alguns personagens pode ser raso e descartável, não fazem sequer sentido em existir, por exemplo, o Xerife local, que entra e sai de cena de forma constrangedora, sem ter nada a acrescentar a trama, a não ser um motivo banal que poderia ter sido mais bem articulado na estrutura do roteiro.
