Uma empresa com 30 anos de história estava falindo. Nesses trinta anos, pouco avançou, pior, retrocedeu e muito. Seu Gerente tinha 25 anos à frente da empresa e a defendia a ferro e fogo, cheio de argumentos e desculpas para o insucesso da mesma. Certo dia, o Presidente, que até então nunca havia se posicionado quanto a tamanho fracasso, tendo em vista que suas outras empresas sempre financiaram a esta outra, anunciou que o Gerente seria substituído por um novo, e que o novo gerente tinha apenas 20 anos e uma nova visão de negócio.
O experiente Gerente disse:
- Como isso? Se eu que tenho 30 de empresa e conheço todos os caminhos, ainda não consegui o sucesso, como um jovem de apenas 20 anos o conseguirá? Quando eu comecei aqui ele não tinha nem nascido!
O Presidente, que tinha aquela empresa apenas como hobby, pois era o sonho de seu velho pai, encarou o gerente de modo frio e profissional como nunca tivera feito antes. Vale dizer que as outras empresas dele eram um sucesso, pois ele tinha uma visão progressista quanto a negócio, mas naquele momento ele se perguntou: “O que passou pela minha cabeça ao deixar esse cara por 30 anos aqui?”. Ele deu um sorriso e respondeu:
- Bem, você teve 30 anos e foi incapaz de avançar um centímetro nessa empresa, pior, retrocedeu… O que você tinha para me mostrar, já me mostrou, agradeço seu esforço, mas a verdade é que o senhor é um derrotado e acomodado. Não soube nesses anos aprender com as derrotas e muito menos teve vontade de vitória, o fato é que a vida é curta e o tempo passa…
O Gerente, que até então se sentia intocável, sentiu um frio na barriga e frustração, ele entendera que tudo que acabara de ouvir era uma grande verdade e não tinha argumentos consistentes. Decidiu então partir para ofensa ao jovem que ele não conhecia, usando a velha estratégia da falta de experiência e de ser novo na empresa. Após a explanação, o Gerente, sentindo-se por cima na discussão, questiona:
- Aí eu gostaria que o senhor me respondesse: Qual seria a vantagem desse jovem na empresa?
O Presidente deu um sorriso irônico, ajeitou o terno e respondeu:
- Simples. Nele existe pelo menos a esperança, embora jovem, sua cabeça está borbulhando de novas e interessantes ideias. Vale dizer também que o garoto tem uma vantagem muito importante quanto a você: ele é uma folha em branco, não foi derrotado tantas vezes e o melhor, já tem uma vitória no jogo, que é o novo trabalho dele. Você já me mostrou nos últimos 30 anos do que é capaz e o jovem, não, ou seja: chega um momento, em que a mudança não só é essencial, mas também o último recurso de quem quer ver as coisas andando certo e com sucesso.
O Gerente saiu cabisbaixo da sala do Presidente.
Antes de começar sua gestão, o Garoto pediu uma reunião com o antigo Gerente. O Presidente sem entender questionou o garoto:
- Por quê? O que você acha que pode aprender com alguém que não deu certo?
O Garoto, com a ousadia que a idade lhe dava, respondeu rindo:
- Simples: o que não fazer!
Após a reunião, que durou duas horas, o Presidente o encarou e perguntou: E ai? O que não fazer?
O Garoto, muito frio em sua posição, respondeu:
- Ai é que está… A questão não é o que não fazer, mas sim “fazer”… Fazer envolve coragem, fazer é saber que você pode errar e acertar, é um risco, fazer é correr riscos, mas sem riscos, a vitória não vem.
Depois de 10 anos a frente da empresa, o Garoto, como é conhecido até hoje, inovou em muitas questões, acertou em um bocado e errou em outro bocado, mas conseguiu transformar a marca de refrigerantes de sua empresa, na quarta mais vendida no Brasil e hoje é um dos donos da empresa que começou como gerente.
Certa vez perguntaram para ele:
- Qual sua próxima meta?
- Ser a marca mais vendida no Brasil e depois no mundo!
- Mas a primeira é a Coca Cola, seu refrigerante não chega aos pés dela quanto ao gosto!
- Como disse, primeiro minha meta é ser a mais vendida, depois, a mais gostosa, toda mudança exige certo tempo e trabalho.
Até hoje a Coca Cola, mesmo não sendo incomodada de fato pela empresa, tenta a todo custo comprar a fábrica de refrigerantes populares.
Cristen Charles
Em homenagem a Antonio Carlos Pucciarello, o mais aguerrido e corajoso profissional com quem trabalhei. Não tinha medo de riscos e era ousado até a última medula.