O ALBERGUE Parte III

21 12 2011

“Sequência do clássico absoluto de horror dos anos 2000, só serve para mostrar o quão genial é Eli Roth e quanto os outros filmes eram melhores do que aparentavam!”

A capa é muito bem sacada!

Há alguns anos, lembro-me que tive uma experiência fantástica com o cinema, mais precisamente com as emoções que o cinema era capaz de nos proporcionar, recordo ainda de ter pensado lá no meu íntimo: “Isso que é cinema MESMO!”. Era mais ou menos assim, o cinema de Piracicaba lotado de jovens, o filme era “O ALBERGUE” e aquele primeiro ato do filme, o qual um grupo de turistas americanos viajava para Bratislava e lá começa uma verdadeira farra com as mulheres, no melhor estilo das comédias adolescentes americanas tipo “American Pie”. Era a estrutura base até então.

Naquele primeiro ato, todos ficavam rindo em voz alta, conversando, jogando pipoca um no outro, um inferno. Irritado, deixo minha namorada na poltrona e vou reclamar com o lanterninha, um senhor de aproximadamente uns cinquenta e cinco anos, que apenas olha para o relógio, aponta para a tela e me diz:

- Aguarde mais uns sete minutinhos e veja a arte se fazer…

Primeiro filme adotou o Torture Porn como subgênero

Após os precisos sete minutos, o filme tem uma quebra de tom e ritmo e entra uma cena de tortura assustadora, onde um jovem amarrado, desesperado, tem os seus “tendões de Aquiles” cortados e o assassino, sadicamente apenas diz: “Corra!”… Você já pode imaginar o resto né?

Naquele momento, eu vi um cinema até então barulhento, ficar silencioso, o público grudar na poltrona e pessoas vomitarem ou saírem da sala com um mal estar terrível. Realmente foi um acontecimento marcante e que ilustra as qualidades do filme como entretenimento de qualidade, porque a arte deve antes de qualquer coisa causar algum tipo de emoção/reação no espectador, nem que seja o asco.

Insano diretor é um gênio quando se fala de sadismo!

Os críticos no Brasil não entenderam a sacada de Roth e se talvez Tarantino tivesse assinado o filme, eles achariam genial, mas era apenas um jovem cineasta que antes tinha dirigido uma pequena obra de arte de horror intitulada “Cabin Fever”, em que homenageava o horror oitentista com muito estilo, oras, essas “monas” não aguentaram o excesso de violência.

Roth como um bom pesquisador do gênero, fez referência aos mestres da violência extrema, como por exemplo, TAKAHASHI MIIKE, numa participação genial e também ao clássico filme asiático “Suicide Club”, numa cena gore espantosa. Todos os predicados para um grande clássico do cinema de horror estavam presentes no filme, que costuma figurar nas listas de especialistas como um dos melhores de todos os tempos quando o assunto é horror, com grande justiça, diga-se de passagem.

Segundo filme é hardcore e leva o estilo para uma nova direção!

Anos depois Roth volta com o “Albergue 2”, que muda o foco, colocando mulheres na jogada (no primeiro ele foi chamado de misógino), ele leva a coisa para uma nova direção, coloca violência ainda mais extrema e algumas cenas de puro mal gosto para alguns, mas a intensidade e verborragia típicas de Roth estavam lá, a cena onde ele homenageia a condessa Bathory, numa banheira de sangue, já é antológica.

Homenagem a condessa Bathory é cena clássica do horror moderno!

O que unia esses filmes é que eles não eram obras bobocas simplesmente, existia um processo dramatúrgico nas interpretações e sim, Eli Roth é um grande diretor de atores, dos bons mesmo. Mesmo que ele faça obras focadas para um público adolescente, desde “Cabin Fever” ele já mostrava uma técnica apurada para a direção de atores.

Por exemplo, as cenas de tortura eram simplesmente desesperadoras, mas qual era o timing técnico? Ao invés de apostar na cena do corte da motosserra propriamente dita, por exemplo, ele focava a interpretação nos segundos que antecediam o corte, no desespero, no revirar do estômago, nas lágrimas, criando momentos realmente perturbadores.

Toda a reflexão acima não é em vão. Quando fora anunciado “O Albergue 3” e fiquei sabendo que Roth não estaria envolvido criativamente e o filme iria direto para o vídeo, me espantei e já esperava o pior – vide a continuação de “Cabin Fever”.

Scott Spiegel, produtor dos outros e ainda por cima, figurinha carimbada no meio do horror, assume a direção da sequência e o roteirista Michael D. Weiss (!?) é quem escreve. Deu para perceber que Eli Roth está totalmente fora da sequência, não?

Na trama, jovens em despedida de solteiro vão para Las Vegas curtir e lá são pegos pelo “CLUBE DA CAÇA DE ELITE”. Uma espécie de “Se Beber Não Case” de horror. O filme até que não começa tão mal, a inversão dos países e a xenofobia dos espectadores é colocada à prova nesse inicio de filme que é o melhor momento do roteiro.

A partir daí falta força, garra e qualidade a todo. Scott Spiegel é incapaz de conseguir criar bons momentos de suspense e horror, muito menos comédia ou humor negro. O elenco é péssimo e as interpretações beiram o amadorismo em alguns momentos, principalmente nos momentos de tortura, que eram para ser o ponto alto do filme.

Vale dizer que a violência demora demais para começar e quando começa, frustra a todos com mortes não criativas, cenas off-screen e efeitos especiais e de maquiagem péssimos. Existe uma cena em CGI que é constrangedora, para se dizer o mínimo. Mais do que isso, a tentativa de juntar o mundo da jogatina de Las Vegas e o Clube da Caça de Elite funcionou mal, ficando a sensação de que cortaram muita coisa do texto original.

Nos outros filmes, a sensação de se estar fora do país, num lugar em que você é um número, estatisticamente falando, é uma forma de brincar com sensações de pânico com o espectador, aqui essa sensação é deixada um pouco de lado, tendo em vista que Las Vegas já fora explorada a exaustão pelo cinema e temos que dizer, Scott Spiegel não tem o necessário para explorar o espaço de Las Vegas como Roth teria, por exemplo.

Mal dirigido, mal escrito e com interpretações sofríveis, “O Albergue 3” é um exemplo do que não fazer em uma sequência de um clássico do horror, na dúvida, não mudem de direção, apostem no que deu certo, é redundante, mas menos frustrante.





SOBRE SANTOS E BARCELONA!

20 12 2011

“A subserviência do Santos, a aplicação tática do Barcelona e a péssima imprensa esportiva brasileira”

Bem, sou santista desde que me tenho por gente e não tenho como negar que pela primeira vez em minha vida, vi meu time realmente ser humilhado, achincalhado, pisoteado e arrebentado por um adversário como nessa final de campeonato. Vejam bem, aqueles 7 a 1 que levamos do Corinthians, tinha o sentimento interno dos jogadores de simplesmente derrubar o técnico e com isso entregaram o jogo descaradamente, afora isso, o Santos nunca cometeu muitos papelões como os companheiros “corinthianos” e “palmeirenses” costumam cometer de tempos em tempos.

Bem, para quem interessa saber o que eu achei do jogo, devo dizer que nada tem a ver com as opiniões dos “especialistas”, isso mesmo, especialistas em aspas para frisar o quão sério esses profissionais devem ser levados por quem gosta de futebol. Acho cômico ouvir frases do tipo:

“O Santos e nenhum time do mundo é capaz de enfrentar o Barcelona!”

“Os brasileiros tiveram uma aula de futebol!”

“Um dos jogos mais belos de toda a história!”

Sabe por que acho cômico? Porque me dá a sensação de que ninguém assistiu de fato ao jogo, que foi simplesmente um jogo dominado por um time com aplicação tática, previsível, esquemático e quadrado, sem ousadia nenhuma. Portanto, vários comentários eu considero bobagens das grossas e acabam justificando porque o jornalismo não precisa mesmo de diploma, tendo em vista que jornalistas esportivos não sabem absolutamente nada de bola, e muitos sequer tocaram numa bola, não passam de playboys criados em apartamentos que acham que entendem de técnica e coisas do tipo.

O responsável pela derrota do Santos foi inteiramente o time santista, que não honrou e nem levou a sério a responsabilidade de vestir o manto do melhor time da história do futebol, que só teve o lendário rei e melhor (de fato) jogador de todos os tempos vestindo a camiseta branco e preta.

O que o Barça fez no jogo? Oras, o que eles sempre fazem, seguram a bola, valorizam a posse, rodam ela no campo, tocam de lado e partem para cima do time quando encontram brechas. Bem, isso todo mundo sabe, todo mundo sabe das escapadas pela direita, das sobras, os gols parecem até repetecos de outros, portanto, sem tirar o mérito, o Barça foi eficiente e fez a parte dele, ganhando o jogo, mas vejam bem, ainda foram incompetentes, um jogo como aquele, deveria terminar 10 a 0 e estaria de bom tamanho.

E o Santos? Oras, deveria avançar a marcação e simplesmente jogar o que sabe, poderíamos perder, claro, mas tínhamos o elemento surpresa: a imprevisibilidade do futebol brasileiro. Quem diabos é capaz de imaginar o que o Neymar faria com uma bola dentro da área? E o Ganso? Se ambos levassem a vida de atletas santistas a sério, a coisa poderia ter sido outra.

Outro ponto a se destacar é a defesa do Santos… Jesus! Que coisa horrorosa, nas faltas, os caras chegavam a levantar o adversário e a pedir desculpas…Que educação é essa? Numa final de mundial? Não é à toa que não são todos os jogadores que nasceram mesmo para fazer história.

Esse papo de que o “Barça é o melhor”, “o Santos fez sua parte”, “o futebol brasileiro deve aprender com o espanhol” e por ai vai, é uma desculpa que jornalistas de quinta e alguns santistas usam para disfarçar a incompetência e falta de sangue nos olhos do nosso time. Aprendam: PARA VENCER, BASTA QUERER VENCER PRIMEIRAMENTE!

Vou além, se no peixe, tivéssemos uma zagueiro como o Domingos (que muitos criticam) e o Fabio Costa no gol, a coisa seria diferente. O respeito seria outro, até imagino nesse futebol industrializado e de entretenimento, o empresário do Messi chegando junto dele e dizendo: “Pelo amor de Deus, não trombe com o Domingos e nem com o Fabio”; será que eles seriam loucos?

Exemplo? Vejam como Ganso e o Neymar se borraram todo na frente do Puyol, um tanque de guerra, praticamente.

Bem amigos, o que vimos no domingo, foi um futebol que eu chamaria de EMO, apanham e choram descaradamente, além de lamberem o adversário.

Bem, nessas horas eu digo, um Boca Juniors, Grêmio, Inter, São Paulo e por ai vai, poderiam até mesmo perder o jogo, estamos falando de futebol, mas que transformariam a vida do Barça num inferno, transformariam sim.

Do que adianta ganhar a Libertadores, viajar para fora do País, para passar por um vexame daqueles? Ah, pra eles vale sim, afinal, fizeram turismo de graça, aos custos do clube.





SUÍTES IMPERIAIS

19 12 2011

“Mais uma viagem ao insano e degradante universo de Bret Easton Ellis!”

O novo trabalho do escritor norte americano Bret Easton Ellis talvez seja realmente seu livro menos inspirado, mas numa galeria em que temos o seminal “Abaixo de Zero”, o provocante “Regras da Atração”, o livro de contos “Os Informantes”, o polêmico e transgressor “Psicopata Americano”, o genial e experimental “Glamorama” e o hilário e criativo “Lunar Park”, esse menos inspirado, ainda significa uma obra pujante e envolvente, tanto na forma, quanto conteúdo. Bret Easton Ellis ainda é um escritor para poucos, infelizmente…

A ironia de tudo isso é que nesse mercado cercado por best-sellers e continuações desnecessárias, que ele tanto criticou por exemplo em “Glamorama”, a continuação de seu Debut, “Abaixo de Zero”, é mola propulsora que engrena esse novo petardo literário. Mas engana-se quem pensa que vai encontrar mais do mesmo nessa obra, muito pelo contrário, Bret nos leva a uma nova e intrigante direção, desafiando o senso de limite do leitor ao assumir, que a trama ali descrita é superficial e inexistente, pra não dizer surreal.

E obviamente os personagens poderiam ser reais ou não, afinal, quem se importa com eles? Esse desafio ao leitor dá animo e carga dramática a “SUÍTES IMPERIAIS”, uma epopeia bizarra de um roteirista de Hollywood que se vê de volta ao mesmo ambiente que crescera, só que agora bem sucedido e ainda com uma série de dilemas, além, claro de ter adquirido algumas novas falhas morais.

O estilo “clipesco” de “Abaixo de Zero” volta nessa sequência e a mesma sensação de vazio e de que nada interessante está acontecendo também. Obviamente é tudo proposital e ironicamente coreografado na cabeça do escritor que admite tê-lo escrito enquanto degustava vinhos. Outro ponto a se destacar é a falta de humor nesse trabalho; em suas últimas obras, Bret oferecia um humor negro, irônico e muitas vezes abusava de referências à cultura pop, tudo isso é meio que dosado nessa obra e pode causar estranheza em fãs de Bret.

Mas quando avançamos página a página, vemos personagens entrar e sair de cena num ritmo acelerado e acompanhamos os coadjuvantes e a tentativa de enviesar uma trama de mistério no meio, diálogos rápidos e uma auto paródia permeando a prosa, vemos que a maior qualidade de Bret Easton Ellis é não se levar tão a sério, mesmo com o talento que tem. Com isso temos a imprevisibilidade e, essa surpresa que surge do imprevisível, é que o torna um escritor tão instigante e desafiador a cada trabalho.

Bret Easton Ellis, um gênio, que possivelmente só será mais apreciado, após sua morte, pois nesse momento, é quando costumam fazer um balanço real do trabalho de um artista. Uma pena, pois quem o aprecia nesse momento, está anos luz a frente de seu tempo.





Fright Night (Remake)

19 12 2011

“Remake é competente, mesmo com algumas mancadas…”.

Na era dos remakes hollywoodianos, o mais difícil hoje talvez seja encontrar um que seja de fato satisfatório e que valha a assistida. Eu particularmente odeio essa onda de remakes e isso apenas prova o declínio da indústria de entretenimento como a conhecemos. Daqui para frente muita coisa deve mudar e acredito eu, para melhor.

Eis que chegamos à refilmagem de “Fright Night”, ou como é popularmente conhecido no Brasil, “A Hora do Espanto”, clássico filme terrir do auge da era das vídeo-locadoras, um dos meus filmes mais queridos e um dos mais inspirados trabalhos de Tom Holland, um diretor esquecido por alguns, que além desse clássico, entregou o seminal “Child’s Play”, “Brinquedo Assassino”.

O remake, embora guarde semelhanças com o original, principalmente na premissa, difere bastante em alguns aspectos, funcionando mais como uma “reimaginação” do que um remake propriamente dito. A trama é basicamente a mesma, vampiro bonitão, dessa vez interpretado por Collin Farrel, muda-se para a casa ao lado do desconfiado Charlie Brewster, que desconfia que o dito cujo seja um vampiro.

A partir dai encontros e desencontros começam a acontecer, como no original, e Charlie acaba contando com a ajuda de Peter Vincent, uma espécie de Chris Angel, totalmente diferente da ideia do original, em que um veterano do cinema de horror, charlatão e irônico, na época brilhantemente interpretado por Roddy Mcdowall, decide ajudar o pobre Charley.

A grande sacada do diretor Craig Gillespie foi apostar mais no suspense do que no humor, potencializando a ação (com a ajuda de um 3D bem safado) e deixando o humor para alguns pequenos momentos, a maioria referência ao original. Os efeitos visuais estão ótimos, fotografia primorosa, trilha sonora bem precisa e Collin Farrel dando um show como vampiro Jerry.

O filme como uma diversão escapista funciona que é uma beleza, principalmente nessa era em que os vampiros estão tão afeminados, e vê-los como predadores assustadores é realmente ótimo, mostrando que os dentuços ainda podem sim serem assustadores, ao contrário do que prega o horrível “Crepúsculo”, muito bem desmoralizado numa piada curta, inteligente e discreta.

Para quem quer recordar de uma época que nossos vampiros vinham de fontes como “A Hora do Espanto”, “Garotos Perdidos” e por ai vai, essa é a pedida… Ah, vale dizer que nessa época lembro das frases do meu pai: “Vampiros bons eram Lugosi e Walken, o resto são moças…”. A cada geração, uma nova leva de Vampiros, alguns tem sorte, como eu e meu Pai, já outros… Bem, fiquem com a Sra. Myer e seus vampiros evangélicos e afeminados, fazer o quê, sinal dos tempos!

 

 





Red State

19 12 2011

“Ao sair de sua zona de conforto, Kevin Smith demonstra segurança como diretor, mas falha no roteiro.”

Kevin Smith sempre disse e demonstrou com seus filmes, ser um roteirista que virou diretor. Roteiro é sua maior qualidade, tanto que ele também desenvolve essa atividade nos quadrinhos, tendo um acerto muito grande (para variar com o “Demolidor”) e poucos erros. Mesmo em seu pior filme, “Mallrats”, o roteiro ainda salvava com belas e inspiradas sacadas, mas o domínio de imagens, não precisamente em atuações, mas em dar um dinamismo maior ao texto, nunca fora seu forte.

Quando anunciou seu primeiro filme de terror, muitos questionaram se o diretor teria a mão necessária para criar cenas tensas, dinâmicas e frenéticas, coisas que são necessárias para que se tenha um filme de horror pelo menos satisfatório. Muitos se esqueceram de questionar se o roteiro seria bom, isso porque Kevin Smith, nesse quesito tem total confiança de todos, mas infelizmente ele cometeu algumas falhas primárias, que se não prejudicam o filme, pelo menos atrapalham bastante a coesão dele, mesmo com o fantástico clímax, que é demolido com explicações desnecessárias.

“Red State” mostra um grupo de religiosos fundamentalistas e preconceituosos, liderados pelo insano pastor Abin, numa atuação incrível de Michael Parks, que em suas pregações, se posiciona radicalmente contra os homossexuais e sexo desenfreado. Um grupo de amigos, que queriam apenas um bacanal, acaba na mão desse grupo, o FIVE POINTS, que além de tudo, tem um arsenal de armas bem guardado. Quando a força policial local e Estadual descobre que lá coisas estranhas acontecem, eles não irão se entregar sem luta.

A ideia é boa, um ótimo plot, o personagem do Pastor é bem escrito e memorável, mas o desenvolvimento de alguns personagens pode ser raso e descartável, não fazem sequer sentido em existir, por exemplo, o Xerife local, que entra e sai de cena de forma constrangedora, sem ter nada a acrescentar a trama, a não ser um motivo banal que poderia ter sido mais bem articulado na estrutura do roteiro.

 

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O Gerente, o Presidente e o Garoto.

4 10 2011

Uma empresa com 30 anos de história estava falindo. Nesses trinta anos, pouco avançou, pior, retrocedeu e muito. Seu Gerente tinha 25 anos à frente da empresa e a defendia a ferro e fogo, cheio de argumentos e desculpas para o insucesso da mesma. Certo dia, o Presidente, que até então nunca havia se posicionado quanto a tamanho fracasso, tendo em vista que suas outras empresas sempre financiaram a esta outra, anunciou que o Gerente seria substituído por um novo, e que o novo gerente tinha apenas 20 anos e uma nova visão de negócio.

O experiente Gerente disse:

- Como isso? Se eu que tenho 30 de empresa e conheço todos os caminhos, ainda não consegui o sucesso, como um jovem de apenas 20 anos o conseguirá? Quando eu comecei aqui ele não tinha nem nascido!

O Presidente, que tinha aquela empresa apenas como hobby, pois era o sonho de seu velho pai, encarou o gerente de modo frio e profissional como nunca tivera feito antes. Vale dizer que as outras empresas dele eram um sucesso, pois ele tinha uma visão progressista quanto a negócio, mas naquele momento ele se perguntou: “O que passou pela minha cabeça ao deixar esse cara por 30 anos aqui?”. Ele deu um sorriso e respondeu:

- Bem, você teve 30 anos e foi incapaz de avançar um centímetro nessa empresa, pior, retrocedeu… O que você tinha para me mostrar, já me mostrou, agradeço seu esforço, mas a verdade é que o senhor é um derrotado e acomodado. Não soube nesses anos aprender com as derrotas e muito menos teve vontade de vitória, o fato é que a vida é curta e o tempo passa…

O Gerente, que até então se sentia intocável, sentiu um frio na barriga e frustração, ele entendera que tudo que acabara de ouvir era uma grande verdade e não tinha argumentos consistentes. Decidiu então partir para ofensa ao jovem que ele não conhecia, usando a velha estratégia da falta de experiência e de ser novo na empresa. Após a explanação, o Gerente, sentindo-se por cima na discussão, questiona:

- Aí eu gostaria que o senhor me respondesse: Qual seria a vantagem desse jovem na empresa?

O Presidente deu um sorriso irônico, ajeitou o terno e respondeu:

- Simples. Nele existe pelo menos a esperança, embora jovem, sua cabeça está borbulhando de novas e interessantes ideias. Vale dizer também que o garoto tem uma vantagem muito importante quanto a você: ele é uma folha em branco, não foi derrotado tantas vezes e o melhor, já tem uma vitória no jogo, que é o novo trabalho dele. Você já me mostrou nos últimos 30 anos do que é capaz e o jovem, não, ou seja: chega um momento, em que a mudança não só é essencial, mas também o último recurso de quem quer ver as coisas andando certo e com sucesso.

O Gerente saiu cabisbaixo da sala do Presidente.

Antes de começar sua gestão, o Garoto pediu uma reunião com o antigo Gerente. O Presidente sem entender questionou o garoto:

- Por quê? O que você acha que pode aprender com alguém que não deu certo?

O Garoto, com a ousadia que a idade lhe dava, respondeu rindo:

- Simples: o que não fazer!

Após a reunião, que durou duas horas, o Presidente o encarou e perguntou: E ai? O que não fazer?

O Garoto, muito frio em sua posição, respondeu:

- Ai é que está… A questão não é o que não fazer, mas sim “fazer”… Fazer envolve coragem, fazer é saber que você pode errar e acertar, é um risco, fazer é correr riscos, mas sem riscos, a vitória não vem.

Depois de 10 anos a frente da empresa, o Garoto, como é conhecido até hoje, inovou em muitas questões, acertou em um bocado e errou em outro bocado, mas conseguiu transformar a marca de refrigerantes de sua empresa, na quarta mais vendida no Brasil e hoje é um dos donos da empresa que começou como gerente.

Certa vez perguntaram para ele:

- Qual sua próxima meta?

- Ser a marca mais vendida no Brasil e depois no mundo!

- Mas a primeira é a Coca Cola, seu refrigerante não chega aos pés dela quanto ao gosto!

- Como disse, primeiro minha meta é ser a mais vendida, depois, a mais gostosa, toda mudança exige certo tempo e trabalho.

Até hoje a Coca Cola, mesmo não sendo incomodada de fato pela empresa, tenta a todo custo comprar a fábrica de refrigerantes populares.

Cristen Charles

Em homenagem a Antonio Carlos Pucciarello, o mais aguerrido e corajoso profissional com quem trabalhei. Não tinha medo de riscos e era ousado até a última medula.





Dylan Dog e as Criaturas da Noite

7 09 2011

“Dylan Dog é uma obra “infilmável”? Pelo menos no esquema hollywoodiano sim!”

Missão ingrata essa que o diretor Kevin Monroe assumiu: adaptar para as telonas um dos maiores fummeti’s de todos os tempos e que sempre teve como principal característica, textos geniais, que beiravam a mais pura filosofia.  Estou falando de Dylan Dog, criação máxima de Tizano Sclavi, que tem entre seus admiradores nomes do porte de Umberto Eco.

Quando começaram a surgir os rumores sobre o filme “Dylan Dog: Dead of Night”, tratei de manter meu entusiasmo lá embaixo e esperar o pior, tendo em vista que um personagem complexo, estruturado dentro de um universo quase surreal e poético, numa dramaturgia totalmente diferente do que se está acostumado quando o assunto é quadrinhos, seria quase como adaptar o mestre Will Eisner para as telonas; perguntem a Frank Miller como isso é difícil, e já dava para termos noção da desgraça que poderia ser feita. Seria um desrespeito ao original e consequentemente aos fãs, e se uma adaptação de quadrinhos é incapaz de atingir fãs propensos a consumi-la, o que dirá do público médio que está se cagando para quem seja esse tal de Dylan Dog.

E esse é o principal problema de “Dead of Night”, o filme é incapaz de dialogar com os fãs acostumados às histórias do detetive do pesadelo nas hq’s, é incapaz de ser uma mera diversão escapista e a todo o tempo, ele me parece deslocado, mal dirigido e uma bagunça. O filme tenta ser uma mistura de Constantine com filme noir, mas a falta de foco e de uma forte estrutura dramática acaba com as pretensões.

Algumas boas ideias e sacadas aqui e ali funcionam: menções a Grouxo, o inicio que lembra a clássica HQ, o visual de Dylan – mas quando a coisa precisa funcionar, dramaticamente falando, tendo em vista que estamos falando basicamente de uma obra de ficção, o filme de fato, trava. A história é fraca, Dylan para variar está ajudando uma garota que teve o pai morto por um animal, possivelmente um Lobisomen (uma clara menção a Poe), e volta à ativa para investigar o ocorrido, tendo em vista que um amigo seu também foi vitima do mesmo bicho. A partir daí ele entra no mundo dos vampiros e lobisomens, em busca de resposta; logo descobrimos também que Dylan era uma espécie de fiscal desse mundo de monstros… Um horror, um horror…

Com uma premissa já fraca, e um roteiro desconexo, Munroe, que é visualmente bom e estiloso, cria boas sacadas, jogos de lentes ajudam bastante em criar algumas atmosferas, mas a previsibilidade e atuações canhestras, não empolgam em momento algum. O fato é que Munroe é um diretor muito técnico e pouco artístico, e isso realmente atrapalha, quando se têm uma matéria prima muito rica como as fummeti’s da Bonelli Comics.

Outro ponto ruim a se destacar, é o parceiro de Dylan. Todos sabemos que o seu parceiro de HQ, o carismático Grouxo, tinha razão de existir pelo seu estilo surreal de humor e parceria bizarra com o detetive do pesadelo, que na arte sequencial funcionava uma maravilha. No filme, abre-se mão de Grouxo e cria-se um parceiro bizarro (de modo negativo) e sem graça para Dylan, e o que podia ser um alívio cômico, torna-se rapidamente um incômodo digno de “A Praça é Nossa” e “Zorra Total”.

O personagem Marcus, longe de ser um Grouxo e em busca de um resultado semelhante a personagens de outros filmes do estilo – por exemplo, os coadjuvantes de “Espíritos” de Peter Jackson e vários outros – padece de falta de carisma e não funciona em instante nenhum, transformando Sam Huntington, em um paspalho claramente perdido em textos ruins para um personagem péssimo.

O final é aquele desespero, dá a impressão que economizaram efeitos e maquiagens durante o filme todo, para no final, investir todo o orçamento no mais safado CGI e efeitos pirotécnicos, que só deixam o conjunto da obra ainda mais patético. O ponto positivo disso tudo, é que com o fracasso nas bilheterias, uma continuação está praticamente descartada por muitos, muitos anos, possibilitando aos fãs, a esperança que o “fan-film” “Dylan Dog La Muerte Putana”, tenha o mesmo caminho de “Mortal Kombat Legacy”, e seja algo respeitoso e carinhoso com o brilhante, surreal e poético universo que Tizano Sclavi idealizou, e se caso o mesmo não funcionar, lembrem-se: sempre teremos “Della Morte Della More”, filme B europeu, com Ruppert Everet, a verdadeira inspiração visual para Dylan e baseado num livro de Sclavi, ou seja: o mais próximo que o cinema chegou do verdadeiro Dylan Dog das HQ’s.





Entrevista minha para o Jornal Imprensa Livre!

8 08 2011





The Dark Knight Rises Teaser Trailer

18 07 2011

Galera, teaser trailer do novo filme do Batman, “THE DARK KNIGHT RISES” legendado…procês! Só para constar: já vemos uma pequena cena do BANE dando um pau no Batman…

 





Reportagens de Cristen Charles para o “NA MIRA”!

18 07 2011

Para quem gosta, uma boa oportunidade de rever, para quem não gosta, está fazendo o que aqui? Segue ai uma coletânea de reportagens para o programa “NA MIRA”:

Lei Anti Fumo

Protesto no Bairro Veneza

 

 

Entrevista Celso Russomanno

 

Na Boca do Povo 06/05

 

 

Reportagem do “NA MIRA”-Lost de Peruíbe

 

 

Mulher passa horas de horror no parto

 

 

“NA MIRA”, mulher cansada de tanto ser assaltada!

 

 

“NA MIRA”: Ciclovia Esdruxula

 

“NA MIRA” O Pós Enchente do Caraguava

 

 

Na Mira-Esgoto a céu aberto no Caraguava

 

 

“NA MIRA” – Afanadores de Carnes!

 








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